Ao Estadão, Ciro Gomes erra ao falar sobre economia, voto útil e orçamento secreto

Ciro Gomes no Estadão: Candidato à Presidência Ciro Gomes em sabatina promovida pelo Estadão e pala FAAP, em 21 de setembro de 2022 (Foto: YouTube / Reprodução)
Ciro Gomes no Estadão: Candidato à Presidência Ciro Gomes em sabatina promovida pelo Estadão e pala FAAP, em 21 de setembro de 2022 (Foto: YouTube / Reprodução)

Na última quarta-feira (21), o candidato à Presidência Ciro Gomes (PDT) foi sabatinado pelo Estadão em um evento promovido em parceria com a FAAP.

Na entrevista, Ciro tratou sobre suas propostas econômicas e se posicionou sobre temas como o voto útil, assim como a postura do PT sobre o orçamento secreto.

Contudo, o candidato utilizou dados e informações erradas ao tratar sobre esses temas, confira a checagem do Yahoo! Notícias.

Ciro Gomes no Estadão: Candidato à Presidência Ciro Gomes em sabatina promovida pelo Estadão e pala FAAP, em 21 de setembro de 2022 (Foto: YouTube / Reprodução)
Ciro Gomes no Estadão: Candidato à Presidência Ciro Gomes em sabatina promovida pelo Estadão e pala FAAP, em 21 de setembro de 2022 (Foto: YouTube / Reprodução)

Crescimento econômico

"Sob ponto de vista econômico, o Brasil, pela primeira vez na nossa história inteira, passa uma década sem crescer nada."

Candidato à Presidência Ciro Gomes em sabatina do Estadão e da FAAP, em 21 de setembro de 2022

Embora a última década, de 2011 a 2020, tenha sido considerada por economistas como "perdida", em razão do pequeno crescimento do PIB, não é possível afirmar que a economia não cresceu "nada" nesse período.

Segundo a FGV (Fundação Getulio Vargas), entre 2011 e 2020, o crescimento médio do PIB brasileiro foi de 0,3%.

Voto útil

"Nada mais, nada menos do que um de cada três eleitores que hoje dizem declarar voto ao Lula, o fazem por uma razão pragmática."

Candidato à Presidência Ciro Gomes em sabatina do Estadão e da FAAP, em 21 de setembro de 2022

Não há pesquisas divulgadas nas últimas semanas que sustentem a afirmação de que um em cada três eleitores (cerca de 33%) vota em Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por questões pragmáticas.

Uma sondagem realizada da Genial/Quaest há cerca de seis meses, em março, questionou os eleitores sobre a razão que os levaram a decidir o voto para presidente. Somente 4% disseram ser "para evitar a vitória de outro candidato".

Em relação aos eleitores de Lula, 63% o escolheram por conta de sua "boa gestão no passado", 58%, por conta da "situação econômica pessoa" e outros 48% decidiram o voto com base na situação econômica do país.

O instituto também questionou os eleitores da chamada terceira-via sobre o voto útil. Perguntados "se o primeiro turno fosse hoje e Lula tivesse grande chance de ser eleito sem precisar do segundo turno, você votaria nele mesmo preferindo outro candidato?", 34% disseram que mudariam o voto para Lula, enquanto 66% não votariam no petista.

Orçamento secreto

"Sabe quem deu o voto decisivo para manter o orçamento secreto, roubalheira que salvou o Bolsonaro da desmoralização completa? O PT."

Candidato à Presidência Ciro Gomes em sabatina do Estadão e da FAAP, em 21 de setembro de 2022

É enganoso afirmar que o PT votou para manter o orçamento secreto, uma vez que a orientação da legenda contraria a medida.

Na votação ocorrida no Senado, em 19 de novembro de 2021, para decidir se as emendas de relator seriam ou não mantidas, o senador Rogério Carvalho (PT) foi de encontro ao partido. Na contramão do que orientou o PT, Carvalho votou pela manutenção do orçamento secreto. Contudo, ele foi o único parlamentar a se posicionar de tal forma.

Em uma nota, o PT reafirmou que o voto do senador contrariou sua orientação e classificou a sua decisão como grave.

"O voto isolado do senador é um fato grave, que não se justifica diante das manifestas posições do partido sobre questão fundamental para o país", escreveu Gleisi Hoffmann, presidenta nacional do PT, na nota.

As declarações do candidato também foram verificadas pelo Estadão Verifica.