Ao lado de Bolsonaro, Michelle diz que tentam "calar outra mulher" com ação no TSE

(Reuters) - A primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou neste sábado que está sendo alvo de uma "perseguição" e que uma mulher tenta calar outra, em uma referência indireta à candidata do MDB, Simone Tebet, durante um evento de campanha, ao lado do marido e candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL), voltado para o público feminino.

"A perseguição está clara, quando uma mulher fala que tem de votar em mulher. Quando uma mulher fala que ela pode estar onde ela quiser; quando uma mulher fala que ela tem liberdade de expressão, mas que daqui a pouquinho ela entra na Justiça e tenta calar outra mulher", disse.

A fala da primeira-dama refere-se ao fato de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a pedido da coligação liderada por Simone Tebet, ter determinado à campanha de Bolsonaro a suspensão de se veicular uma inserção de 30 segundos em que Michelle exaltava, em vídeo, a entrega da obra da transposição do Rio São Francisco.

Procurada, Simone Tebet respondeu à fala da primeira-dama. "Homem ou mulher, ninguém está acima da lei. Nada contra a primeira-dama fazer propaganda, mas faça dentro da lei. Aliás, presidência é lugar de exemplo", disse ela, em manifestação distribuída pela campanha da candidata do MDB.

A presença de Michelle na propaganda oficial de Bolsonaro tinha sido a estreia dela no rádio e na TV e havia ocorrido após o erro grave, segundo fontes da própria campanha do candidato à reeleição, em declarações sobre mulheres durante o debate no domingo à noite.

A campanha do presidente, que está em desvantagem nas pesquisas de intenção de voto, busca explorar a participação da primeira-dama com o objetivo de reduzir a rejeição de Bolsonaro entre as mulheres, a maior fatia do eleitorado brasileiro. A equipe também quer ampliar a vantagem do presidente entre o eleitorado evangélico, já registrado nas pesquisas, tentando também ampliar para o eleitorado religioso.

No evento do sábado, Michelle -- que é evangélica -- disse que os cristãos precisam sim de falar de política para que "amanhã" se possa "falar de Jesus".

(Reportagem de Ricardo Brito)