Ao lado da esposa, presidente da Caixa ignora denúncias: 'vida pautada pela ética'

Pedro Guimarães, presidente da Caixa, é alvo de investigação por assédio sexual contra funcionárias da estatal (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
Pedro Guimarães, presidente da Caixa, é alvo de investigação por assédio sexual contra funcionárias da estatal (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

O presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, esteve nesta quarta-feira (29) em um evento oficial, o lançamento do Plano Safra 2022/23. Guimarães ignorou as denúncias divulgadas na imprensa de assédio sexual e esteve acompanhado da esposa, Marcela Guimarães.

Pedro Guimarães abriu a apresentação agradecendo a esposa. “São quase 20 anos juntos, dois filhos, e uma vida inteira pautada pela ética. Tanto é verdade que, quando eu assumi o banco, o banco tinha os piores ratings das estatais”, disse.

“Hoje somos um exemplo, eu tenho muito orgulho do trabalho de todos vocês e da maneira em que eu sempre me pautei em toda a minha vida”, declarou Pedro Guimarães.

O presidente da Caixa é acusado por funcionárias de práticas assédio sexual, envolvendo toque não permitidos e convites inapropriados. Ele não mencionou o assunto.

Pressionado no cargo

Segundo a jornalista Andréia Sadi, da TV Globo, tanto a ala política quanto a econômica entendem que é difícil que Pedro Guimarães continue no cargo de presidente da Caixa e avaliam que ele precisa deixar o posto. Quem é próximo a Guimarães defende um afastamento e quer explicações.

Entre a equipe que cuida da companha de reeleição de Bolsonaro, a ideia também é que Guimarães seja demitido. Segundo Sadi, a avaliação é que os apoiadores fiéis do presidente não deixarão de votar nele por isso, mas, ao mesmo tempo, uma tentativa de Bolsonaro de sair em defesa de Pedro Guimarães poderia gerar um desgaste.

A maior preocupação é que Bolsonaro não perca ainda mais espaço no eleitorado feminino, parcela da população que já demonstra uma maior rejeição ao presidente da República.

Jair Bolsonaro e Pedro Guimarães são bastante próximos. O presidente da Caixa Econômica Federal costuma acompanha Bolsonaro em viagens e participar de lives. Ele chegou a ser cotado para ser vice do presidente na campanha de reeleição.

O temor de aliados, de acordo com Andréia Sadi, é que Bolsonaro faça declarações similares às feitas para se referir ao ex-ministro Milton Ribeiro. O presidente chegou a dizer que colocaria “a cara no fogo” pelo pastor que, posteriormente, foi preso por suspeita de corrupção no MEC. A ideia do entorno é evitar esse tipo de apoio.

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