Ao lado de Doria, Nunes minimiza crise e cita vacinas para público de 47 a 49 anos na capital

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SÃO PAULO, SP, 23.06.2021: VACINAÇÃO-SP - Fila na UBS Bom Retiro para a vacinação contra a Covid-19. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 23.06.2021: VACINAÇÃO-SP - Fila na UBS Bom Retiro para a vacinação contra a Covid-19. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após apagão das vacinas na cidade de São Paulo, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o governador João Doria (PSDB) minimizaram a crise e prometeram novas doses para atender as próximas faixas etárias do plano de vacinação.

Em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, Nunes afirmou nesta quarta-feira (23) que as vacinas contra Covid-19 já recebidas e as previstas até o fim da semana são suficientes para vacinar o público da capital que tem entre 47 e 49 anos.

"Nós recebemos hoje 181 mil doses da vacina. Receberemos na quinta-feira 120 mil doses e também as outras 30 mil doses na data de hoje, o que soma 331 mil doses, suficiente para que nós façamos a vacinação de 49, 48 e 47 anos", disse.

Agora, no entanto, ele não deu prazos para público abaixo dessa faixa etária. "De 46 para frente não estamos falando agora. Nós vamos alinhar de novo, a gente vai fazer uma boa comunicação com a população, [dizer] se vai manter, se vai antecipar", afirmou Nunes.

Sobre as mudanças no calendário, ele disse que readequações são necessárias. O prefeito citou, por exemplo, que a prefeitura percebeu nesta semana que só conseguiria fazer uma faixa etária por dia, e não duas, como anunciou anteriormente. Disse ainda que não há motivo para a citar as datas da vacinação das faixas etárias mais jovens, que podem sofrer mudanças.

O apagão de vacinas contra Covid-19 em postos de saúde da cidade de São Paulo na terça-feira (22) gerou o primeiro choque entre o governo Doria e a prefeitura paulistana já sob administração de Ricardo Nunes.

Após uma reunião com Doria na noite de terça (22), Nunes disse que a relação com o estado é a "melhor possível". "Estamos todos imbuídos em salvar vidas", disse.

O governador João Doria (PSDB) seguiu na mesma linha. Ele disse que as relações são "as melhores, são fluídas, são integradas e são harmoniosas". "Pontualmente, podemos ter alguma circunstância como houve ontem, mas isso não implica em nenhuma desarmonia", disse.

A confusão na terça começou após o secretário estadual de Saúde, Jean Gorinchteyn, dizer que só foi informado às 18h de segunda (21) sobre a falta de doses. Nunes, tido como alguém com perfil conciliador, dessa vez rebateu. Durante evento, ele disse que a prefeitura já havia avisado o governo estadual que precisaria de mais doses para poder dar sequência à vacinação contra a Covid-19 desde sábado.

Entre membros da gestão Nunes, a avaliação é que a meta de Doria de vacinar com a primeira dose todos os adultos até setembro não é realista, uma vez que são esperados atrasos por parte do governo federal. A pressão fica sobre a rede municipal, que atua na ponta.

O governo estadual, nesta quarta, mais uma vez atribuiu o problema de falta de vacinas que afetou a capital paulista a atrasos de entregas do Ministério da Saúde.

Regiane de Paula, coordenadora estadual de vacinação, disse que a paralisação na vacinação não deve acontecer mais. "Foi a primeira vez que aconteceu no município de São Paulo. Já havia acontecido em várias outras capitais, inclusive com falta de D2 [segunda dose]. Mas isso não vai acontecer novamente", disse.

Doria reforçou, no entanto, que é preciso que o governo federal cumpra os prazos informados. "Com os dados informados pelo Ministério da Saúde para a entrega das vacinas a São Paulo, não há razão para faltarem vacinas para as etapas sucessivas de vacinação."

O governador voltou a dizer que pretende vacinar todos os adultos do estado com a primeira dose até 15 de setembro. Já Nunes, questionado sobre o assunto, afirmou que a cidade tem capacidade de vacinar 600 mil pessoas por dia, sem se comprometer com prazos além das faixas entre 49 e 47 anos.

O governo estadual também anunciou a chegada de insumos para a fabricação de 10 milhões de doses pelo Instituto Butantan.

De acordo com o governador, o governo da China já autorizou o envio de 6.000 litros de insumos para a Coronavac. A previsão é que o material chegue no aeroporto de Viracopos no sábado (26).

"Está confirmado que até o dia 30 de setembro teremos os 100 milhões de doses da vacina do Butantan entregues ao Ministério da Saúde", disse Doria.

O diretor do Butantan, Dimas Covas, afirmou que há a possibilidade de recebimento de 12 mil litros de insumos em julho e a mesma quantia em agosto.

"Com isso, nós recuperaremos o cronograma de adiantamento que nós anunciamos. Ou seja, poderemos finalizar o contrato com o Ministério da Saúde ainda em agosto", disse Covas.

Depois disso, o instituto passará a fornecer vacinas adicionais para o estado de São Paulo.

PLANO SP

Em meio a piora de parte dos índices de coronavírus, o governo prorrogou novamente (23) a fase de transição do Plano São Paulo até o dia 15 de julho.

A última atualização do plano previa a fase de transição até o dia 30 de junho —esta fase já vigora desde 18 de abril e, desde então, o governo vem prorrogando esta etapa.

Em maio, o governo chegou a anunciar maior flexibilização após o início de junho, mas voltou atrás devido a gravidade dos índices no estado.

Com a prorrogação até dia 15, estabelecimentos continuarão com funcionamento até as 21h, com lotação máxima de 40%. Além disso, há toque de recolher entre as 21h e as 5h.

A secretária de Desenvolvimento Econômico, Patrícia Ellen, disse que os resultados do plano têm sido positivos. "Finalmente estamos alcançando novamente uma desaceleração da nossa curva de casos de Covid, principalmente de internações, enfermaria e UTI", disse. "Em três meses, reduzimos a ocupação dos leitos de enfermaria em mais de 5.000 leitos. E em UTI, em mais de 1.500 leitos."

O secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn, afirmou que a taxa de ocupação de UTI de 74,7% é a menor em quatro meses na Grande SP. No estado, o índice é de 78,9%.

Os casos, porém, aumentaram 31% e os óbitos, 10,2% na média diária semanal. Já em relação às internações houve queda de 11,5%. Gorinchteyn afirmou que esse último índice reflete melhor o momento da pandemia.

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