Ao lado de Moro, Santos Cruz se filia e diz que Brasil não pode buscar 'salvador da pátria'

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BRASÍLIA — Ao lado do ex-juiz Sergio Moro, o ex-ministro da Secretaria de Governo, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, se filiou nesta quinta-feira ao Podemos e disse que o Brasil não pode buscar um "salvador da pátria". Em seu discurso, ele também afirmou que a política não pode ser criminalizada.

Com o ingresso no Podemos, o militar se junta definitivamente ao núcleo da pré-campanha do ex-ministro da Justiça, de quem foi colega no governo Bolsonaro e ambos saíram rompidos.

— O Brasil não pode continuar acreditando e procurando um salvador da pátria. Tem que ser uma busca de soluções através de um projeto de Brasil, e não um salvador da pátria — disse o general.

Sem citar diretamente Jair Bolsonaro, o ex-ministro criticou o "culto à personalidade", o "populismo" e defendeu um presidente que governa para todos, inclusive para seus opositores.

Santos Cruz justificou sua entrada na vida partidária, alegando que é o modo de poder contribuir ativamente para as mudanças. O general argumento que existem "políticos de boa qualidade" em diversos partidos e que novas pessoas também podem se filiar.

— A política não pode ser criminalizada. É a única forma de mudar a realidade, de mudar aquilo que se acha problemático na sociedade. É a única maneira de melhorar a vida dos brasileiros. Existem muitos políticos de boa qualidade, não se pode criminalizar a política — disse.

Na época em que esteve no Palácio do Planalto, Santos Cruz era criticado por ter uma relação difícil tanto internamente quanto com parlamentares. Colega da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman) de Bolsonaro, o general deixou o governo em junho de 2019 em conflito com a ala ideológica e alvo do filho do presidente, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ). Desde então, se tornou um crítico do governo.

— (Santos Cruz) Compôs o atual governo, tendo a esperança de que o governo poderia dar certo e ele não teve nenhum receio de ser retirar do governo quando percebeu que na verdade o plano de governo não era construir um país melhor, mas simplesmente atender a objetivos pessoais do governante no poder. Isso demonstra desprendimento, demonstra caráter, isso demonstra credibilidade — disse Moro

Durante a cerimônia de filiação, Santos Cruz foi elogiado por sua carreira militar, o que inclui ter chefiado missões de paz no Haiti e no Congo, e também pelos cargos que ocupou no Executivo após passar para a reserva. Além de ministro de Bolsonaro, Santos Cruz foi secretário Nacional de Justiça do governo de Michel Temer.

Moro, por sua vez, ressaltou que o general não ingressa no partido como um representante das Forças Armadas. Bolsonaro é frequentemente criticado por tentar contaminar politicamente Exército, Marinha e Aeronáutica.

— Ele não está aqui representando as Forças Armadas. Precisamos diferenciar as pessoas das instituições, isso é bastante importante, mas ele carrega sim a credibilidade de uma carreira militar e de uma carreira no serviço civil em prol do país — completou Moro.

— É um general da reserva que vem somar, mostrando também que não faz nenhum sentido essa divisão entre militar e civil. É algo que temos que superar, somos todos brasileiros, estamos todos no mesmo barco — disse o ex-juiz.

O senador Álvaro Dias (Podemos-PR) disse que o ingresso de Santos Cruz na política é "uma missão de paz" em tempo de polarização.

— Agora ele vem para outra missão de paz, porque estamos vivendo uma beligerância política no país, momento em que entre a esquerda e a direit há os que plantam o ódio, semeiam o ressentimento, os que semeiam a violência — disse o parlamentar.

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