Ao lado de Pazuello, Bolsonaro gera aglomeração no Rio após dizer que teve sintomas de Covid

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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Três dias após dizer em live que voltou a ter sintomas da Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) gerou nova aglomeração durante passeio de moto neste domingo (23) no Rio de Janeiro. A prefeitura da cidade estimou que participariam do evento de 10 mil a 15 mil pessoas.

Sem máscara, o ex-ministro da Saúde general Eduardo Pazuello também esteve presente ao lado de Bolsonaro em cima de um carro de som.

Em discurso ao final do passeio, o presidente criticou as medidas restritivas adotadas para conter a pandemia da Covid-19 e disse que pode tomar “todas as medidas necessárias” para garantir a liberdade da população.

Bolsonaro tem ameaçado publicar uma norma para impedir que gestores locais fechem o comércio ou limitem a atividade econômica durante a crise sanitária. Ele também voltou a usar a expressão “meu Exército”, que gerou incômodo anteriormente entre militares.

“Meu Exército jamais irá às ruas para manter vocês dentro de casa [...] Nosso Exército são vocês. Mais importante do que os Poderes Executivo, Judiciário e Legislativo, é o poder do povo brasileiro”, afirmou.

O presidente também voltou a atacar governadores e prefeitos, afirmando que eles ignoraram a maioria da população ao, sem comprovação científica, decretar lockdown. As medidas restritivas, na verdade, foram adotadas de acordo com a avaliação de comitês científicos e estudos que indicam que o distanciamento social é necessário para frear a disseminação do novo coronavírus.

Ameaçado pela volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à corrida eleitoral de 2022, Bolsonaro aproveitou para criticar Fernando Haddad, candidato petista por ele derrotado em 2018. “Imagine se o poste tivesse sido eleito presidente, como estaria nosso Brasil no dia de hoje."

Bolsonaro também esteve acompanhado pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio Freitas, e voltou a sugerir que ele pode ser candidato ao Governo de São Paulo em 2022. "Vai fazer uma limpeza em São Paulo ou não vai? Acho que o pessoal de São Paulo vai ser premiado com o Tarcísio", disse.

Como já ocorreu em outros atos bolsonaristas, a imprensa voltou a ser alvo de hostilidade neste domingo. O repórter da CNN Brasil Pedro Duran foi xingado de “lixo” por dezenas de manifestantes e teve que ser escoltado por policiais militares. Ele deixou o local em uma viatura da PM.

O presidente chegou ao Parque Olímpico da Barra da Tijuca, zona oeste, por volta das 9h30. Lá, sem máscara, cumprimentou apoiadores que o aguardavam.

Na última quinta-feira (20), Bolsonaro afirmou que poucos dias antes havia se sentido mal e tomado cloroquina, medicamento comprovadamente ineficaz no tratamento da Covid e associado a efeitos adversos. Ele também disse que seu exame deu negativo —o que não exclui a possibilidade de que estivesse infectado.

Decreto em vigor do Governo do Rio de Janeiro prevê o uso obrigatório de máscara em qualquer ambiente público, assim como distanciamento mínimo de 1,5 metro. Já o decreto da Prefeitura do Rio mantém proibida a realização de eventos em áreas públicas.

Na última sexta-feira (21), o Governo do Maranhão autuou Bolsonaro por gerar aglomeração com mais de cem pessoas sem controle sanitário e por não usar máscara em evento em Açailândia (a 560 km de São Luís).

Médicos e especialistas da saúde têm alertado sobre a possibilidade de uma terceira onda da pandemia no Brasil. A cidade do Rio está neste momento com 95% dos leitos de UTI públicos ocupados.

O passeio de moto teve início por volta das 10h no Parque Olímpico em direção ao aterro do Flamengo, zona sul do Rio, a 40 quilômetros de distância. Diversas vias da cidade foram fechadas para a passagem de Bolsonaro.

O governo de Cláudio Castro (PSC), aliado do presidente, mobilizou mais de 20 unidades da Polícia Militar, com cerca de 1.000 agentes, para o evento com Bolsonaro, "a fim de garantir a ordem e a segurança da população durante o ato".

No dia 10 de maio, o presidente já havia realizado um passeio de moto pela periferia do Distrito Federal, durante o qual também desrespeitou as regras sanitárias. O mesmo ocorreu no dia 9 de maio, também em Brasília, em novo trajeto com centenas de motociclistas.

Na ocasião, Bolsonaro afirmou que queria fazer passeios semelhantes no Rio, em São Paulo e Belo Horizonte.

Um dia depois, o presidente prometeu, em conversa com apoiadores, que em futuras concessões de rodovias federais colocará como um dos itens do edital a isenção de pedágio para motos​, uma das pautas da categoria.

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