Ao lançar prêmio, secretário de Cultura fala em 'renascimento da arte' no Brasil

Bruno Góes

BRASÍLIA — Em tom ufanista, o Secretário Especial de Cultura do governo Jair Bolsonaro, Roberto Alvim, lançou nesta quinta-feira o Prêmio Nacional das Artes. Em vídeo gravado para divulgar a iniciativa, Alvim disse que o governo pretende contribuir para a construção de uma "pujante civilização" por meio da cultura. Sem modéstia, ele também anunciou o "renascimento da arte e da cultura no Brasil".

Na gravação feita para detalhar o alcance do prêmio, o discurso de Alvim foi acompanhado por uma música de fundo triunfalista. Depois de enaltecer a fé do povo brasileiro e a sua ligação com Deus, o secretário falou sobre "poderosas formas estéticas" que serão favorecidas.

A premiação irá destinar mais de R$ 20 milhões para as melhores obras, que serão divididas em sete categorias. Serão selecionadas cinco óperas, 25 espetáculos teatrais, 25 exposições individuais de pintura e 25 de escultura, 25 contos inéditos, 25 CDs de músicas originais e 15 propostas de histórias em quadrinhos.

— Ele (Jair Bolsonaro) pediu que eu faça uma cultura que não destrua, mas que salve a nossa juventude. A cultura é a base da pátria. Quando a cultura adoece, o povo adoece junto. É por isso que queremos uma cultura dinâmica e, ao mesmo tempo, enraizada na nobreza de nossos mitos fundantes. A pátria, a família, a coragem do povo e sua profunda ligação com Deus amparam nossas ações na criação de políticas públicas. As virtudes da fé, da lealdade, do autossacrifício e da luta contra o mal serão alçadas ao território sagrado das obras de Arte — disse Alvim.

Ele ressaltou ainda que o ano de 2020 será "uma virada histórica", ou seja, "o ano do renascimento da arte e da cultura no Brasil".

— Ao país ao qual servimos, só interessa uma arte que cria a sua própria qualidade a partir da nacionalidade plena, e que tem significativo significado constitutivo para o povo para o qual é criada. Portanto, almejamos uma nova arte nacional, capaz de encarnar simbolicamente os anseios desta imensa maioria da população brasileira, com artistas dotados de sensibilidade e formação intelectual, capazes de olhar fundo e perceber os movimentos que brotam do coração do Brasil, transformando-os em poderosas formas estéticas — acrescentou o secretário.

A pretensão não para por aí:

— São essas formas estéticas, geradas por uma arte nacional que agora começará a se desenhar, que terão o poder de nos conferir, a todos, energia e impulso para avançarmos na direção da construção de uma nova e pujante civilização brasileira.