Protestos em Cali deixaram 13 mortos na sexta-feira

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Equipes de emergência carregam corpo de vítima dos confrontos nos protestos de Cali, em 28 de maio de 2021

Ao menos 13 pessoas morreram na sexta-feira na cidade de Cali, onde o exército foi mobilizado após o dia mais violento até o momento desde o início dos protestos contra o governo da Colômbia, de acordo com um balanço atualizado divulgado pelas autoridades locais.

"A Promotoria nos reporta 13 homicídios ontem", afirmou em uma entrevista coletiva o prefeito de Cali (sudoeste), Jorge Iván Ospina.

Mais cedo, o secretário de Segurança do município, Carlos Rojas, anunciou um balanço de 10 mortes nos protestos de sexta-feira, quando a crise completou um mês no país. Ao menos oito mortes foram provocadas por armas de fogo, segundo a polícia.

Ospina disse que "um número muito importante de mortes em 28 de maio está associado (...) a esta situação de paralisação nacional".

A violência começou durante a manhã, quando a multidão linchou um funcionário da Promotoria que matou dois manifestantes que impediram sua passagem por uma avenida bloqueada. Depois, civis foram observando atirando com fuzis ao lado de policiais, em vídeos divulgados nas redes sociais.

"No sul da cidade tivemos um verdadeiro cenário de confronto e de quase guerra urbana, onde muitas pessoas não apenas perderam a vida, como também tivemos uma quantidade importante de feridos", afirmou Rojas.

Em um mês, o secretário municipal contabiliza 550 feridos.

Cali (sudoeste), com 2,2 milhões de habitantes, é o epicentro de protestos violentos e bloqueios de rodovias que exasperam parte da população e que foram reprimidos com brutalidade pela polícia.

Os bloqueios de vias dividem o governo e a ala mais visível dos protestos, que negociam há duas semanas sem conseguir alcançar um acordo.

Além dos abusos da força pública, condenados pela comunidade internacional, também são registrados ataques frequentes de civis aos manifestantes e inclusive equipes médicas, gravados em muitos vídeos.

"É inadmissível que tenhamos civis praticamente convertendo nossa cidade em campo de guerra", completou Rojas.

Encurralado pelos protestos contra o seu governo, o presidente Iván Duque ordenou a mobilização de quase 7.000 soldados em todo o departamento sob o pretexto de assistência militar.

Em um mês de revolta popular foram registradas pelo menos 59 mortes em todo o país, segundo a contagem oficial. Até sexta-feira, a Defensoria do Povo havia registrado 46 vítimas fatais.

Os feridos superam 2.300 entre manifestantes e agentes das forças de segurança, segundo o ministério da Defesa.

A ONG Human Rights Watch afirma ter "denúncias confiáveis" sobre 63 óbitos, 28 relacionados diretamente com as manifestações.

A crise começou quando o governo quis impor mais impostos à classe média, atingida pela pandemia, para preencher a lacuna fiscal deixada pela emergência econômica.

Duque desistiu da proposta, mas a repressão policial acirrou os ânimos. Atualmente as ruas estão cheias de jovens sem trabalho e sem aulas, que pedem um Estado mais solidário diante da devastação causada pela covid-19.

dl/gma/fp

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