Ao menos 12 empresários e políticos podem ter financiado bloqueios ilegais em SC

Após a derrota de Bolsonaro nas urnas, manifestantes bloquearam rodovias de todo o país em protestos antidemocráticos e ilegais (Foto: REUTERS/Roosevelt Cassio)
Após a derrota de Bolsonaro nas urnas, manifestantes bloquearam rodovias de todo o país em protestos antidemocráticos e ilegais (Foto: REUTERS/Roosevelt Cassio)
  • Ao menos 12 empresários e agentes públicos de SC organizaram e financiaram bloqueios ilegais;

  • Entre os investigados, está um vereador;

  • Estrutura contava com estrutura logística, alimentos e banheiro químico.

Ao menos 12 empresários e agentes públicos de Santa Catarina foram identificados por organizar e financiar os bloqueios ilegais e antidemocráticos em diversas rodovias brasileiras. Os protestos começaram após a derrota de Jair Bolsonaro (PL) nas urnas. Entre os investigados, está um vereador.

As informações, segundo o portal g1, constam em um relatório sigiloso do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), entregue nesta terça-feira (8) ao ministro Alexandre de Moraes, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Os nomes dos identificados não foram divulgados “para não atrapalhar as investigações”.

O chefe do órgão, Fernando Comin, explicou nesta quarta-feira (9), em entrevista à Rádio CBN, que o grupo ofereceu estrutura de alimentos, banheiros químicos e logística para viabilizar os bloqueios em rodovias federais e estaduais.

"O que se identificou foi a existência de uma organização, atuando nos bastidores, incentivando lideranças comunitárias, de movimentos dos caminhoneiros em geral, pessoas comuns do povo, a irem a frente, a incitarem esses atos", informou Comin.

A quantidade de empresas e agentes públicos citados referem-se apenas a Santa Catarina. A Procuradoria Geral de Justiça não detalhou o total de organizadores identificados em todo o país.

A investigação também quer saber de onde partiram as ordens para as ações coordenadas.

"Não podemos confirmar que a origem é Santa Catarina, há ramificações aqui em Santa Catarina, nós apresentamos um relatório de inteligência, portanto sigiloso, apontando algumas lideranças que foram identificadas, inclusive empresariais, vereadores, agentes políticos. Claro que isso está sendo objeto de uma investigação mais detalhada", declarou.

Preocupações

Ao se encontrar com Alexandre de Moraes, Comin reforçou a necessidade de identificar os pais ou responsáveis das crianças que foram levadas aos bloqueios. Existe a preocupação de que tanto os menores quanto os idosos presentes foram usados como escudos humanos.

O MPSC relata ainda atos de violência praticados contra forças de segurança. Dois policiais rodoviários ficaram feridos, na segunda-feira (7), após serem agredidos por manifestantes.

O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Mario Sarrubbo, também se encontrou com Moraes. Depois da reunião em Brasília, disse que o foco das autoridades é identificar o “fluxo financeiro” dos bloqueios. O STF (Supremo Tribunal Federal) já está rastreando os suspeitos.