Ao menos 13 países já vacinam crianças menores de 5 anos contra Covid

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ao menos 13 países já vacinam crianças menores de cinco anos contra a Covid-19. Em locais como Chile e Venezuela, a imunização é oferecida desde o fim de 2021 e, nas últimas semanas, Estados Unidos e Israel aprovaram a aplicação de doses a partir dos seis meses de idade.

No Brasil, a Diretoria Colegiada da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deve avaliar nesta quarta-feira (13) à tarde o pedido do Instituto Butantan para uso emergencial da vacina Coronavac em crianças de três a cinco anos, submetido em março.

Na América Latina, Argentina, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Equador, Nicarágua e Venezuela já imunizam crianças abaixo de cinco anos.

A Argentina vacina crianças a partir de três anos e, segundo o Ministério da Saúde local, em 25 de julho o país receberá 1,4 milhão de doses para iniciar a imunização de crianças entre seis meses e três anos, e oferecer reforço para aquelas entre três e quatro anos. Para quem tem entre 3 e 17 anos, são aplicadas as vacinas Sinopharm e Moderna e os menores de três anos receberão doses da Moderna.

O Chile, por sua vez, iniciou em dezembro a vacinação de crianças entre 3 e 5 anos de idade. São utilizadas duas doses da Coronavac. O Equador segue um procedimento semelhante: o país começou a vacinar crianças a partir de três anos em fevereiro e aplica duas doses de Coronavac.

Já Cuba, Nicarágua e Venezuela imunizam crianças a partir de dois anos. O primeiro utiliza suas vacinas Abdala, Soberana 02 e Soberana Plus, enquanto os demais oferecem a Soberana 2.

Outros países que já aplicam doses nos mais novos são Bahrein, Camboja e China. Os três oferecem imunizantes para crianças a partir de três anos e utilizam as vacinas chinesas Sinopharm ou Coronavac.

"A cada dia que ficamos sem a vacina contra Covid-19 para a faixa etária a partir de seis meses, estamos perdendo duas crianças", diz Cristiano Boccolini, pesquisador do Observa Infância, projeto ligado ao Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz).

No fim de junho, levantamento realizado por ele e colegas apontou a morte de 1.439 brasileiros menores de cinco anos em decorrência da Covid-19 ao longo de 2020 e 2021. "Precisamos incluir essas crianças e aumentar a cobertura nas faixas que já estamos vacinando para tentar barrar a circulação do vírus", afirma Patricia Boccolini, coordenadora do Observa Infância.

Indagada, a Pfizer informou que pretende pedir à Anvisa a autorização para uso de sua vacina em crianças a partir de seis meses o mais rápido possível, mas não indicou uma data. A Zodiac, representante da Moderna no país, espera entregar a solicitação para usar seu imunizante em todas as faixas etárias, incluindo crianças de seis meses a cinco anos, no início de agosto.

Para a infectologista Rosana Richtmann, a lista de quem vacina crianças pequenas aponta a existência de dois grupos. Um deles é formado por países da América Latina e da Ásia que estão usando vacinas como a Coronavac, de vírus inativado.

Do outro lado estão Estados Unidos e Europa, que utilizam vacinas com tecnologia de mRNA (RNA mensageiro) como a da Pfizer e a da Moderna.

"As vacinas com tecnologia de RNA mensageiro têm maior número de estudos e maior embasamento", afirma. Para ela, trata-se de uma questão de tempo e de estratégia das empresas esses imunizantes serem aprovados pelas agências reguladoras. "A Moderna decidiu esperar para apresentar à Anvisa um único pedido para todas as faixas etárias e trazer uma vacina atualizada", exemplifica. Na Europa, o uso do imunizante da empresa a partir dos seis meses já está em análise.

"No Brasil, temos interesse pela vacinação do público abaixo dos cinco anos e há expectativa em relação à Coronavac, mas estou mais ansiosa pelas de RNA mensageiro para essa faixa etária", diz Richtmann.

Outra causa para o pequeno número de países, argumenta o infectologista Leonardo Weissmann, é a falsa impressão de que não é preciso vacinar as crianças, já que a Covid-19 seria menos grave nesse público. "Entretanto, proteger os menores de cinco anos é uma urgência. A doença pode evoluir com formas graves, hospitalizações e óbitos assim como em adultos".

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