Netanyahu promete intensificar ataques a Gaza após escalada que deixou ao menos 30 mortos

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Palestina deixa edifício de Gaza com os dois filhos, durante onda de violência na região

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, prometeu nesta terça-feira (11) aumentar a resposta contra a Faixa de Gaza após foguetes disparados do enclave palestino, em uma escalada militar que já causou ao menos 30 mortes, 28 delas de palestinos e duas de israelenses.

Diante desse cenário, a comunidade internacional pede calma e os países muçulmanos expressaram indignação com o que é considerado o pior momento de violência em anos entre o movimento islâmico - no poder na Faixa de Gaza - e Israel, causado por confrontos entre a polícia israelense e manifestantes palestinos em Jerusalém Oriental.

Do lado palestino, os ataques israelenses realizados com aviões e helicópteros deixaram ao menos 28 mortos, incluindo 10 crianças, e cerca de 125 feridos, de acordo com o Ministério da Saúde de Gaza.

A Jihad Islâmica, o segundo grupo armado de Gaza, informou que entre os mortos estão dois de seus líderes.

Do lado israelense, foguetes disparados pelo Hamas nas cidades de Ashdod e Ashkelon, localizadas ao norte da Faixa de Gaza, ceifaram a vida de duas mulheres israelenses, informou Netanyahu.

"Desde ontem (segunda-feira) o exército realizou centenas de ataques contra o Hamas e a Jihad Islâmica em Gaza (...) e vamos intensificar ainda mais a força de nossos ataques", declarou o chefe de governo, em mensagem de vídeo, acrescentando que o Hamas "seria derrotado de uma forma inesperada".

- Inferno -

O ministro de Defesa de Israel, Benny Gantz, autorizou um pedido do exército para mobiilizar 5.000 reservistas, porém não está claro se essa decisão ocorrerá.

As sirenes continuaram a soar na tarde desta terça-feira nas comunidades israelenses próximas à Gaza.

O braço armado do Hamas prometeu que transformaria a cidade israelense de Ashkelon em um "inferno" se os ataques israelenses deixassem vítimas civis em Gaza.

O Hamas ameaçou Israel com uma nova escalada militar na tarde de segunda-feira se suas forças não se retirassem da Esplanada das Mesquitas em Jerusalém Oriental - o terceiro santuário do Islã - onde os confrontos diários entre palestinos e a polícia israelense causaram centenas de feridos desde sexta-feira.

- Silêncio da ONU -

No momento, ocorrem os maiores ataques israelenses a Gaza desde novembro de 2019.

Na época, Israel liderou o assassinato seletivo de um alto comandante da Jihad Islâmica, Baha Abu al Ata, responsável por inúmeros ataques contra o território israelense.

Depois da morte de seu comandante, a Jihad Islâmica lançou cerca de 500 foguetes contra Israel, que, por sua vez, bombardeou as posições desse grupo, tentando evitar as do Hamas, para não comprometer uma trégua alcançada com esse movimento.

No entanto, uma fonte do Hamas anunciou na noite de segunda-feira que Muhammad Fayad, um comandante de sua ala militar, foi morto em Beit Hanun, norte de Gaza, logo após o início dos ataques israelenses.

A comunidade internacional tem manifestado sua crescente preocupação, enquanto o Conselho de Segurança da ONU não conseguiu chegar a um acordo sobre uma declaração comum, uma vez que os Estados Unidos - aliado histórico de Israel - consideram que "por enquanto não é oportuno emitir uma mensagem pública".

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, condenou os ataques com foguetes do Hamas, afirmando que eles "devem parar imediatamente".

A ONU informou nesta terça-feira que estava "profundamente preocupada" e condenou "qualquer incentivo à violência".

A França solicita a Israel o uso de força "proporcional" em Jerusalém Oriental.

Fontes diplomáticas disseram à AFP que as Nações Unidas, com a ajuda do Catar e do Egito, iniciaram a mediação com as partes "interessadas" para conseguir uma redução da tensão.

Os ataques israelenses geraram manifestações de protesto na Jordânia, África do Sul, Tunísia e outros países nesta terça-feira.

A Faixa de Gaza, um empobrecido enclave no qual vivem dois milhões de pessoas, encontra-se sob bloqueio israelense desde que o Hamas assumiu o poder em 2007.

Desde então, o Hamas e Israel enfrentaram três guerras (2008, 2012, 2014).

Nesta terça-feira ao meio do dia, após os confrontos que causaram mais de 500 feridos na Esplanada das Mesquitas, parecia que um pouco de calma havia sido restaurada na Cidade Velha de Jerusalém e seus arredores, de acordo com jornalistas da AFP.

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