Ao menos 26 combatentes pró-Assad morrem em emboscada do EI na Síria

Delil SOULEIMAN com Hashem OSSEIRAN em Beirute
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Uma mulher aguarda sua partida durante a libertação de famílias sírias do campo de al-Hol administrado pelos curdos, que mantém suspeitos de fazer parte do grupo Estado Islâmico (EI), na província de Hasakeh, no nordeste da Síria, em 28 de janeiro de 2021.

Ao menos 26 soldados e milicianos pró-regime morreram nesta segunda-feira(8) na Síria em uma emboscada do grupo extremista Estado Islâmico (EI), informou o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

Os extremistas, que intensificaram os ataques nos dois últimos meses, executaram uma emboscada contra os combatentes que organizavam operações perto da cidade de Mayadin, na província de Deir Ezzor, segundo o OSDH.

Do lado do regime, sete soldados e 19 milicianos aliados morreram, sírios em sua maioria. Também morreram 11 jihadistas.

Apesar da queda de seu "califado" em março de 2019, o EI continua executando ataques violentos, sobretudo no deserto de Badiya, que vai das províncias centrais de Homs e Hama até Deir Ezzor, no extremo leste.

Os ataques dos jihadistas são dirigidos contra o exército do regime de Bashar al-Assad, que conta com ataques aéreos do aliado russo e também contra as forças curdas.

Em um dos atentados mais mortais do EI desde a queda do "califado", pelo menos 37 soldados do regime foram mortos no final de dezembro.

- "Ameaça latente" -

Segundo relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), publicado no início de fevereiro, a "insurreição" da organização jihadista persiste na Síria e no Iraque e conta com cerca de "10.000 combatentes ativos", além de "alguns milhares de combatentes terroristas estrangeiros."

Esse relatório também insistiu na "ameaça latente" representada pelos jihadistas presos e suas famílias que estão nos campos de deslocados nas mãos das forças curdas, especialmente em Al Hol.

Pelo menos 14 pessoas foram mortas desde o início de 2021, três delas por decapitação, no campo de Al Hol, disse uma autoridade local nesta segunda-feira.

Esse acampamento é o lar de cerca de 62.000 pessoas, mais de 80% mulheres e crianças, de acordo com a ONU.

O campo foi cenário de vários incidentes, alguns nos quais apoiadores do EI estiveram envolvidos, além de tentativas de fuga e ataques a guardas ou trabalhadores de ONGs.

“Já houve casos de radicalização, treinamento, arrecadação de fundos e incitação à realização de operações no exterior”, alertou a ONU em seu relatório de fevereiro.

“Alguns detidos consideram o Al Hol como o último vestígio do 'califado'”, destaca este relatório, segundo o qual cerca de 10.000 mulheres e crianças estrangeiras vivem em um local anexo exclusivamente para eles.

As autoridades curdas regularmente apelam aos países envolvidos a repatriar mulheres e crianças.

Uma fonte humanitária destacou recentemente as tensões tribais por trás de algumas das mortes.

Desencadeada em 2011 pela repressão do regime de al-Assad às manifestações pró-democracia, a guerra na Síria cresceu em complexidade ao longo dos anos com a intervenção de diferentes potências estrangeiras e facções armadas.

O conflito já causou mais de 380.000 mortes e forçou milhões de pessoas a deixar suas casas.

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