Ao menos 47 países declaram realocar investimento em petróleo e carvão para fontes renováveis

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***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 19.10.2018 - Roberto Kishinami, coordenador do programa de energia do Instituto Clima e Sociedade. (Foto: Reinaldo Canato/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 19.10.2018 - Roberto Kishinami, coordenador do programa de energia do Instituto Clima e Sociedade. (Foto: Reinaldo Canato/Folhapress)

GLASGOW, ESCÓCIA (FOLHAPRESS) - Uma declaração conjunta com pelo menos 47 países promete realocar investimentos de fontes fósseis de energia —como petróleo, carvão e gás —para fontes renováveis, até 2030.

Publicada nesta quinta (4) na COP26, a declaração tem entre seus signatários Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Reino Unido e Dinamarca. A proposta de realocação responde a uma das preocupações desta conferência do clima: o fluxo de financiamento para a transição energética.

Segundo especialistas ligados à presidência britânica da COP, os anúncios do setor financeiro de desinvestimento em projetos com alta emissão de gases-estufa não serão suficientes, caso os recursos não sejam realocados para fontes renováveis, completando a transição da matriz energética global —onde se concentram as emissões de gases causadores do aquecimento global.

Sob o título "Declaração de transição do carvão global para energia limpa", o documento de apenas uma página traz quatro compromissos. O principal deles trata de encerrar a emissão de licenças para novos projetos de geração de energia a carvão, assim como o seu financiamento em outros países.

Os outros itens da declaração citam o investimento para dar escala às tecnologias de energia renovável, apoiar econômica e socialmente os trabalhadores, setores e comunidades afetados pelo fim dos investimentos em carvão, assim como apoiar outros países para uma transição energética global, prevista no documento para acontecer até por volta de 2030 nas maiores economias e até 2040 no restante do mundo.

A China, que não está entre os signatários do anúncio na COP, havia anunciado em setembro que não deve mais financiar projetos internacionais para carvão. O país, no entanto, ainda deve contar com a matriz energética baseada em carvão nos próximos anos e prevê começar a reduzir suas emissões apenas no fim da década.

Embora o Brasil tenha uma matriz energética considerada limpa, por se basear em hidrelétricas e por contar com biocombustíveis como o etanol, o acionamento das termelétricas, baseadas em combustíveis fósseis como o carvão, tem aumentado na última década, tanto em crises hídricas, como a que o país enfrenta atualmente, como também nos leilões de energia e no planejamento energético do governo federal. O Brasil não está entre os signatários da transição energética na COP26.

No entanto, o Brasil já teria condição de fazer a transição energética prometida pelo mundo. Segundo a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar), a capacidade instalada de energia solar no país já supera a de termelétricas.

O Rio Grande do Sul, que concentra mais de 90% das reservas de carvão do país, tem encontrado resistência à exploração do mineral. O projeto da Mina Guaíba, na região metropolitana do estado, foi barrado pela Justiça e perdeu o apoio do governador Eduardo Leite (PSDB), que neste ano passou a defender o fim do uso do carvão.

Segundo Roberto Kishinami, coordenador do programa de energia do Instituto Clima e Sociedade, a declaração feita pelos países precisa resultar em mudanças nas linhas de financiamento dos bancos multilaterais, por onde flui a maior parte dos recursos.

"No caso brasileiro, o financiamento de energias renováveis ocorre quase todo por vias privadas", pontua.

*A jornalista Ana Carolina Amaral viajou a convite do Instituto Clima e Sociedade.

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