Ao reassumir mandato, Chico Rodrigues defende inocência em carta a senadores

Julia Lindner
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BRASÍLIA - Depois de quatro meses afastado do cargo, o senador Chico Rodrigues (DEM-RR) reassume o mandato nesta quinta-feira prometendo provar a sua inocência na Justiça. Em carta enviada aos outros parlamentares da Casa, Rodrigues diz que não conseguiu manter "o comportamento de equilíbrio mais adequado" e entrou em "pânico" ao esconder cerca de R$ 30 mil na cueca, durante operação da Polícia Federal em outubro do ano passado. O senador voltou a dizer que a quantia seria usada para pagar funcionários de sua empresa e negou participação em desvios na área da saúde durante a pandemia da Covid-19.

Ao relembrar a operação da PF, Rodrigues disse que o seu comportamento pode ser rotulado como "ridículo" ou "lamentável", mas que os fatos o absolvem de qualquer tipo de má conduta porque o dinheiro em espécie encontrado com ele é compatível com o seu patrimônio e foi declarado em seu imposto de renda.

Nos últimos dias, Rodrigues foi procurado por alguns senadores para que prorrogasse o período de afastamento por pelo menos mais dois meses e continuasse distante do Senado. O objetivo é evitar que a volta do parlamentar aumente a pressão pela instalação do Conselho de Ética, destinado a analisar representações e denúncias contra os congressistas. O colegiado está sem funcionar desde 2019.

"Os fatos objetivos são um só e me absolvem de qualquer tipo de má conduta. Os recursos encontrados comigo e que num ato de desespero e desequilíbrio momentâneo, cuja autocrítica hoje é fácil de realizar, mas na aflição e surpresa do acontecimento foi um impulso de autoproteção, constituem valores totalmente compatíveis com o meu patrimônio e, mais importante, estão devidamente declarados em meu imposto de renda. Portanto, são recursos lícitos, legais, oficiais e de origem declarada. O montante apreendido comigo era, como é possível cabalmente comprovar, apenas aquele necessário que procurei num ato involuntário resguardar para o pagamento de funcionários", alega Rodrigues aos colegas.

Em outro trecho, ele reforça que incluiu um documento oficial da Procuradoria Geral do Estado de Roraima informando que nenhum recurso das emendas destinadas por ele para a área da saúde foi empenhado ou gasto até o presente momento pelo governo estadual.

"Como falar em 'desvio de recursos de emendas' que não foram pagas ou gastas? Encaminho também, em apenso, outros documentos comprobatórios de minha conduta que julgo pertinentes", argumenta.

No início do documento, ao anunciar que está reassumindo as funções do mandato, o senador diz que passou por "um período de enorme padecimento pessoal, familiar e político".

"Tomo a iniciativa de, humilde e respeitosamente, prestar alguns esclarecimentos fundamentais neste momento, visto que as circunstâncias terríveis que assombraram a minha vida me impediram inclusive de poder sequer me defender das brutais e kafkanianas imputações feitas contra mim, numa avalanche do destino que me privou de qualquer condição mínima de reagir e de me contrapor", afirmou.

Rodrigues afirma que foram "meses de condoída e solitária prosternação" e que teve que fazer uso de medicamentos psiquiátricos para "restaurar o mínimo de sanidade".

"Quanto a mim, irei carregar para sempre a chagas dessa excruciante provação. Mas creio que não devo transformar o sofrimento profundo que ainda sinto em mágoas ou revolta. Diante de um país e de um estado, como o meu, em que tantos sofrem muito, muito mais que eu, seria injusto e egoísta mergulhar na autocomiseração."