Ao ser preso, Belo se recusou a dar senha de seu celular para policiais

Carolina Heringer
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RIO - Ao ser preso por policiais da Delegacia de Combate às Drogas (Dcod) na última quarta-feira, o cantor Marcelo Pires Vieira, o Belo, se recusou a fornecer aos investigadores a senha de seu celular. O aparelho foi apreendido pelos agentes. Em seu depoimento na delegacia, o artista afirmou que foi orientado por um de seus advogados a não informar o código para acessar o aparelho. Belo é investigado por realizar um show em uma escola estadual no Parque União, no Complexo da Maré, sem autorização da secrataria estadual de Educação. O evento ainda causou aglomeração.

Ao GLOBO, os advogados de Belo informaram que a senha do celular do cantor é a mesma de cartões e contas bancárias, por isso foi pedido a investigadores que a mesma fosse modificada para ser fornecida à polícia. No entanto, o pedido para mudar o código foi negado.

Apesar da negativa de Belo em fornecer a senha, os policiais poderão acessar o telefone, uma vez que o cantor também foi alvo de um mandado de busca e apreensão, autorizando que fossem apreendidos “elementos de prova que ou de prática criminosa que corroborem a participação dos acusados nos crimes apurados”. Será necessário que os investigadores utilizem apenas um aparelho próprio para fazer o desbloqueio do celular.

Belo foi solto na quinta-feira após ter conseguido um habeas corpus no Tribunal de Justiça do Rio durante a madrugada. No mesmo dia, a juíza Ana Helena Mota Lima Valle, da 26ª Vara Criminal, também revogou a decisão da também juíza Angélica dos Santos Costa, que havia decretado a prisão de Belo e outras três pessoas no Plantão Judiciário - Celio Caetano e Joaquim Henrique Marques Oliveira, sócios da empresa Série Gold Som e Iluminação, responsável pela organização da apresentação do artista, e Jorge Luiz Moura Barbosa, o Alvarenga, chefe do tráfico no Parque União. Apenas os dois primeiros foram presos e o terceiro, segue foragido por outros crimes.

Na decisão, a juíza Ana Helena afirma que ainda será analisada a necessidade da manutenção busca e apreensão e do bloqueio dos bens dos investigados, que também foram determinados pela juíza plantonista. A magistrada determina que a Dcod seja intimada para que o material apreendido - incluindo o celular de Belo - seja lacrado, não podendo ser consultado até que ela decida sobre a questão.

Em um cofre na casa de Belo na Barra da Tijuca, os policiais apreenderam ainda duas pistolas, munição, celulares, computadores, R$ 39 mil em espécie, 3,6 mil euros (o equivalente a R$ 23.400) e 1,1 mil dólares (R$ 7.200) .

Belo, Célio e Joaquim, bem como o endereço da empresa Série Gold Som e Iluminação, foram alvo de mandados de busca e apreensão autorizados pela Justiça, que determinou também a suspensão das atividades da empresa e o bloqueio das contas pessoais de todos os envolvidos. O grupo está sendo investigado pela realização de um show de Belo em uma escola estadual do Parque União sem autorização da Secretaria estadual de Educação e em meio à pandemia. Houve aglomeração no evento. Todos são investigados pelos crimes de causar pandemia, infração de medida sanitária imposta, esbulho possessório e organização criminosa.

Os pedidos de prisão, busca e apreensão e bloqueio de bens foram feitos pela Dcod no Plantão Judiciário. Depois da análise pela juíza Angélica dos Santos Costa, durante a madrugada de quarta-feira, o caso foi distribuído para a 26ª Vara Criminal, onde passará a tramitar.