Ao tribunal misto, Mario Peixoto nega participação em esquema de corrupção: 'Na gravação há referência a Mario. Mas que Mario?'

Luiz Ernesto Magalhães
·3 minuto de leitura

RIO — Em depoimento ao tribunal misto que julga o governador afastado do Rio, Wilson Witzel, o empresário Mario Peixoto negou qualquer relação com o esquema que teria desviado cerca de R$ 500 milhões dos cofres do governo do estado e de prefeituras nos últimos anos, inclusive na montagem de hospitais de campanha pela organização social Iabas, alvo de denúncias de superfaturamento.

Preso há sete meses, na Operação Favorito, Peixoto é apontado pelo braço da Lava-Jato no Rio, formada por Ministério Público Federal e Polícia Federal, como líder da quadrilha.

Mario Peixoto definiu como ilações da investigação a afirmação de que é ele o Mario citado num grampo telefônico pelo operador Luiz Roberto Martins, que afirma a um interlocutor que o empresário havia acertado com Witzel a reabilitação da OS Unir Saúde para prestar servios ao estado.

— Na gravação há referência a Mario. Mas que Mario? Nunca nas trasncrições desses diálogos falam de Mario Peixoto. Não há qualquer papel ou interceptação que prove meu envolvimento. Não paguei propina para requalificar a Unir Saúde. Nunca estive no Palácio Guanabara ou no Palácio Laranjeiras — afirmou Peixoto.

"Diz o Mario que foi ele quem acertou com o governador. Mas não publicou ainda", disse Martins na conversa. A Unir Saúde foi reabilitada por Witzel em março deste ano apesar de pareceres desfavoráveis de órgãos do Estado.

Ainda em depoimento à corte, o empresário confirmou que tinha relações profissionais e de amizade com o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Lucas Tristão, um dos homens fortes da gestão de Witzel. Ele revelou que Tristão recebeu R$ 325 mil por assessoria jurídica de suas empresas e R$1,5 mil por serviços particulares.

Ex-secretário de Saúde decide não falar sobre delação

O ex-secretário estadual de Saúde Edmar Santos, por sua vez, decidiu não falar ao ser convocado para depor. Edmar recorreu, sem sucesso, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para não falar à comissão mista do processo de impeachment contra Witzel, mas o ministro Benedito Gonçalves, que cuida do processo da Operação Favorito, negou o recurso. Ele, no entanto, foi autorizado a não falar sobre os termos da delação premiada que fez sobre o caso, por ainda estar em sigilo de Justiça.

Amparado pela decisão, Edmar se recusou a responder a quase todos os questionamentos sobre o caso, assim como fez o Pastor Everaldo, líder do PSC.

— Com todo respeito a esse tribunal, não tenho a intenção de entrar mudo e sair calado, mas não posso falar sobre fatos relacionados ao que está em sigilo no STJ — limitou-se a dizer.

Pastor Everaldo pede misericórdia e clemência

Preso desde 28 de agosto, o presidente do PSC, Pastor Everaldo pediu clemência e misericórdia ao depor, por videoconferência, para o Tribunal Especial Misto no processo de impeachment do governador afastado Wilson Witzel. Ele foi a terceira testemunha a ser ouvida pelo tribunal. Ele se recusou a responder questionamentos do tribunal, alegando já ser alvo de inquérito no Superior Tribunal de Justiça pelos mesmos fatos apurados:

— Não estou em condições de prestar nenhum depoimento neste processo. Isso se deve ao fato de eu ser réu perante o STJ pelos mesmos fatos que são apurados no processo de impeachment, e meu foco é me defender naquela corte. Estou preso há precisamente 112 dias, a meu ver indevidamente.

Mesmo se recusando a responder, Everaldo continuou a ser questionado pelos integrantes do tribunal, e pediu "misericórdia":

— Mais uma vez pedindo misericórdia, perdão, clemência, eu não tenho como falar, pois sou réu sobre o mesmo assunto.

Everaldo já foi denunciado em três inquéritos do MPF, acusado de ser um dos chefes dos esquemas de corrupção no estado. Em uma das denúncias, ele é descrito como "veterano da corrupção" no Rio.