Ao vivo: CPI da Covid ouve agora Ernesto Araújo, ex-ministro de Relações Exteriores; acompanhe

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BRASÍLIA — A CPI da Covid ouve em instantes o ex-ministro de Relações Exteriores Ernesto Araújo. Diferente do ex-titular da Saúde Eduardo Pazuello, Araújo não pediu habeas corpus para ficar em silêncio nesta terça-feira e sua defesa afirma que ele está tranquilo para explicar as ações de sua gestão.

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Em sua fala inicial, Ernesto fez um balanço de sua gestão. Ele disse que o Ministério de Relações Exteriores "abriu frentes de promoção dos interesses" brasileiros com diversos países, citando a China como um deles. A relação com o governo chinês, que já foi alvo de críticas do ex-chanceler, deve ser um dos principais focos dos questionamentos dos senadores na CPI.

O ex-ministro refutou a avaliação de que ele fazia parte da 'ala ideológica' e deixou claro que sempre atuou sob supervisão do presidente Jair Bolsonaro. Ele afirmou, ainda, que procurou uma política externa que garantisse um "país grande e livre" e que buscou sempre os melhores caminhos seguindo os princípios internacionais.

Ainda durante discurso inicial, Ernesto afirmou que a definição das estratégias contra a pandemia coube ao Ministério da Saúde, mas que o Itamaraty atuou para viabilizar importações de doações, equipamentos e para auxiliar na campanha de vacinação.

Segundo ele, postos do Itamaraty do exterior foram instruídos em janeiro de 2020 a começar a prospecção de pesquisas de vacinas e medicamentos. Ainda de acordo com o ex-chanceler, o Brasil manifestou intenção de participar do consórcio Covax Facility em junho do ano passado.

Antes da primeira fala de Ernesto, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) anunciou que seu partido está apresentando uma ação na Justiça contra o presidente Jair Bolsonaro para que, em eventos públicos, ele respeite as regras sanitárias. É comum Bolsonaro participar de eventos com aglomeração e sem máscara.

— O PSDB está entrando com uma ação em que obrigue o presidente a obedecer as regras sanitárias estabelecidas pelo Ministério da Saúde e pela Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária]. É um problema que estamos vendo ocorrer. É um boicote ao programa de afastamento social. Lembro aos senhores que estamos vivendo hoje uma crise de vacinas. E o distanciamento social é a alternativa — disse Jereissati.

O senador Marcos do Val (Podemos-ES) reclamou que algumas pessoas estão se sentindo intimidadas na CPI. O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), e o senador Otto Alencar (PSD-BA) saíram em defesa do trabalho do relator, Renan Calheiros (MDB-AL). Omar Aziz ainda ironizou quem tenta obter no STF habeas corpus para ficar calado na CPI. O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello já conseguiu uma decisão nesse sentido, e a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, tenta o mesmo.

— É bom ver algumas pessoas procurando o Supremo. Essas mesmas pessoas queriam queimar o Supremo — disse Aziz.

Em seguida, o senador governista Eduardo Girão (Podemos-CE) também reclamou de Renan Calheiros e afirmou que tem ocorrido intimidação. Segundo ele, a CPI tem sido parcial, ou seja, focada no governo federal.

— Espero não ver espetáculos, "vai prender, não vai prender" — disse Girão, em referência ao pedido de prisão feito por Calheiros contra o ex-secretário de Comunicação Social do governo federal Fábio Wajngarten, que, em depoimento na semana passada, caiu em contradição.

— Não adianta constranger o relator. Isso não vai pegar na população. A indignação dos brasileiros é a falta de vacinas — rebateu Aziz.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) disse que reuniu ameaças que membros da comissão têm sofrido e pediu que elas sejam encaminhadas à Polícia Federal. O presidente da comissão, Omar Aziz, acatou a solicitação.

— Isso daí está virando uma rotina, mas o papel nosso é continuar trabalhando aqui — afirmou Aziz.

Parlamentares da comissão afirmam ser um objetivo da audiência aferir se as críticas de Ernesto à China, principal parceiro comercial do Brasil, prejudicaram as tratativas para compra de vacinas e insumos contra o novo coronavírus. Além disso, parlamentares da oposição pretendem indagar Ernesto sobre o esforço feito no âmbito internacional para garantir a compra de medicamentos sem comprovação científica que seriam utilizados no tratamento precoce da Covid-19. O intuito, neste caso, é verificar se o Ministério de Relações Exteriores priorizou outras negociações em detrimento da aquisição de vacinas.