Ao vivo: CPI ouve Roberto Dias, ex-diretor do Ministério da Saúde acusado de pedir propina em negociações de vacinas

·3 minuto de leitura

BRASÍLIA — O ex-diretor de logística do Ministério da Saúde Roberto Ferreira Dias presta depoimento nesta quarta-feira à CPI da Covid, no Senado. Ele foi exonerado do cargo logo após se tornar pública a denúncia de que teria pedido propina para autorizar a compra da vacina AstraZeneca pelo governo federal. Dias também é acusado de ter apressado dentro do ministério a aprovação da vacina indiana Covaxin. Ele nega as duas negociações.

ASSISTA AO VIVO

A denúncia de propina foi feita pelo policial militar Luiz Paulo Dominghetti, que se apresenta como representante da empresa Davati Medical Supply, com sede nos Estados Unidos. Em depoimento à CPI, ele afirmou ter que Dias teria pedido propina para a compra de 400 milhões de doses da AstraZeneca. Segundo Dominghetti, Dias teria cobrado US$ 1 por dose.

Apontado como indicação do deputado Ricardo Barros (PP-PR) e do ex-deputado Abelardo Lupion, Dias é considerado peça-chave para desvendar detalhes de denúncias dos dois supostos esquemas de propina na compra de vacina pelo Ministério da Saúde, envolvendo as doses da AstraZeneca oferecidas por Luiz Dominghetti e a indiana Covaxin, produzida pela Bharat Biotech, o imunizante mais caro negociado pelo governo até agora.

As negociações para aquisição da Covaxin são investigadas pela CPI da Covid, pelo Ministério Público Federal, pela Polícia Federal e pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Além de ouvir Dias, a CPI da Covid deve votar nesta quarta 60 requerimentos — entre eles o de convocação de Andrea Siqueira Valle, ex-cunhada do presidente Jair Bolsonaro. O pedido é assinado pelo senador Renan Calheiros (MDB-AL), relator da comissão.

A comissão também deve votar a quebra dos sigilos telefônico, fiscal, bancário e telemático dos deputados federais Ricardo Barros (PP-PR), líder do governo na Câmara, e Luis Miranda (DEM-DF). Barros teria sido sido citado pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) como responsável por um suposto esquema de corrupção na compra da vacina indiana Covaxin. É o que disse Miranda em depoimento à comissão; o parlamentar afirma ter denunciado a Bolsonaro supostas irregularidades e uma pressão atípica no processo de compra do imunizante.

Há também um requerimento, feito pelo líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), para convocar novamente Luis Miranda à CPI, por entender que o colegiado recebeu documentos suficientes para atestar que houve falso testemunho quando ele prestou depoimento na comissão.

Os senadores ainda vão avaliar a quebra de sigilos de Luiz Paulo Dominguetti e do presidente da Davati no Brasil, Cristiano Alberto Hossri Carvalho. Além disso, o relator da CPI, senador Renan Calheiros (MDB-AL), lembrou que há um requerimento de convocação do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Onyx Lorenzoni, ainda não aprovado. Onyx levantou suspeitas sobre uma cópia de uma fatura de importação da Covaxn apresentada por Luir Miranda e seu irmão, o servidor do Ministério da Saúde Luis Ricardo Miranda.

O documento, porém, é real, conforme mostrou reportagem do GLOBO. Renan disse que Onyx mentiu, poderá ser convocado e, depois, se necessário, será feita uma acareação entre o ministro e o deputado.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos