Ao vivo: 'As imagens falam por si só', diz Queiroga após CPI exibir vídeos de Bolsonaro aglomerado e sem máscara

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O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, presta um novo depoimento à CPI da Covid no Senado. Durante a sessão desta terça-feira, o relator da comissão, Renan Calheiros (MDB-AL) mostrou vídeos que mostram o presidente Jair Bolsonaro (Sem partido) sem usar máscaras em aglomerações. Questionado sobre isso, Queiroga afirmou que "as imagens falam por si só", mas disse que não cabe a ele julgar o mandatário. Depois, falou ainda que quando se encontra com Bolsonaro, o presidente usa máscara.

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Queiroga foi convocado a um novo depoimento após ter as respostas consideradas evasivas por parte dos senadores na primeira vez em que foi ouvido. Ele deverá ser questionado sobre a realização da Copa América no Brasil e sobre a existência de um “gabinete paralelo” de aconselhamento de Bolsonaro nas ações de combate à pandemia de Covid-19.

Em sua fala inicial, o ministro disse que a pandemia só será superada por meio de uma eficiente campanha de vacinação. Ele destacou que já foram distribuídas 105 milhões de doses aos estados e municípios, mas apenas cerca de 30% da população adulta recebeu até o momento a primeira dose, e somente 14% recebeu as duas. Marcelo Queiroga afirmou que seu compromisso é acelerar a vacinação no Brasil, e destacou que está sendo veiculada uma campanha publicitária para que a população não apenas se imunize, como também adote as chamadas medidas não farmacológicas, como o uso de máscara e o distanciamento social.

Ao abrir a sessão, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), confirmou que a votação de requerimentos prevista para esta terça-feira foi cancelada e que os senadores ainda vão decidir se as deliberações vão ocorrer na quarta ou na quinta-feira. Na segunda, houve um impasse no grupo do G7, formado por oposicionistas e independentes, sobre a quebra de sigilo de oito pessoas ligadas ao Palácio do Planalto, entre elas o filho do presidente da República, Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ).

Alguns parlamentares avaliam que não é momento de fazer este tipo de solicitação. A tendência é de que o pedido envolvendo Carlos fique fora da pauta, mas os congressistas ainda buscam acordo sobre outros nomes, como os ex-ministros Eduardo Pazuello e Ernesto Araújo, e o ex-secretário de Comunicação da Presidência, Fabio Wajngarten.

Aziz também anunciou as datas de depoimentos do governadores convocados à comissão. O governador do Amazonas, Wilson Lima (PSC), será o primeiro a prestar depoimento, na próxima quinta-feira. Veja o cronograma:

A CPI também aprovou a convocação do governador de Rondônia, Marcos Rocha, da vice-governadora de Santa Catarina, Daniela Reinehr, mas as datas desses depoimentos não foram anunciadas.

Os planos para uma nova participação de Queiroga chegaram a ser adiantados pelo temor de uma terceira onda de infecções e recorrentes participações de Bolsonaro em atos com aglomeração, mas os novos acontecimentos aumentaram o peso do segundo testemunho do médico cardiologista. Em depoimento à comissão na última semana, a infectologista Luana Araújo, que havia sido convidada por Queiroga para integrar sua equipe e foi barrada pelo governo, apontou que a saída teria sido motivada por pressões do governo no enfrentamento à pandemia, que não teriam sido aceitas por ela.

À CPI, Marcelo Queiroga afirmou que possui independência para a tomada de decisões na Saúde e evitou se posicionar sobre medicamentos do “tratamento precoce”, se limitando a dizer que nunca foi pressionado a usá-lo, nem autorizou a distribuição. Já os ex-ministros Luiz Henrique Mandetta (DEM) e Nelson Teich disseram à comissão que deixaram a pasta após pressões do Planalto contra o distanciamento social e a favor do uso da cloroquina e de outros medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19.

Na esteira dos depoimentos, a divulgação do vídeo em que um médico sugere a criação de um “gabinete das sombras” durante uma reunião com Bolsonaro, organizada pelo deputado e ex-ministro Osmar Terra (MDB-RJ), reforçou a tese de que um grupo de fora do Ministério da Saúde participa das decisões tomadas pelo governo federal no enfrentamento à pandemia. Segundo o presidente da Anvisa, Antônio Barra Torres, a médica Nise Yamaguchi, apontada ao lado de Terra como uma das principais conselheiras do presidente, era uma das pessoas presentes durante uma reunião em que se cogitou alterar a bula da cloroquina para incluir a recomendação no uso de combate ao Covid-19.

Outro ponto que deve ser questionado pelos integrantes do colegiado é a decisão de acolher a Copa América e sediá-la no Brasil, após Argentina e Colômbia recusarem a competição por conta do agravamento da pandemia. Durante a semana, o relator Renan Calheiros chamou Queiroga de “omisso” por não ter se posicionado a respeito do evento e afirmou que esta é mais uma demonstração de que não haveria independência no comando da Saúde.

— Esse episódio da Copa América, em que ele se calou como Ministro da Saúde e preferiu ser ministro do silêncio, demonstrou, de uma outra forma, que a autonomia realmente não existe — afirmou o relator.

A realização do evento esportivo no Brasil provocou uma crise entre a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), jogadores e comissão técnica, após o apoio do presidente à competição. O vice-presidente Hamilton Mourão comentou a questão nesta segunda e disse que a discussão sobre a participação ou não na Copa América é "totalmente disfuncional". Em conversa com apoiadores, Jair Bolsonaro que está "fora" de discussões envolvendo jogadores e técnicos.