Ao vivo: Mandetta depõe em instantes na CPI da Covid; acompanhe

O Globo
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BRASÍLIA - O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta depõe em instantes, nesta terça-feira, na CPI da Covid no Senado Federal. A expectativa é de que ele seja questionado por senadores sobre suas divergências com o presidente Jair Bolsonaro. A previsão de início da sessão estava marcada para as 10h, mas ainda não começou.

A minoria de quatro senadores governistas, por outro lado, se preparou para deslegitimar o ex-ministro. Eles querem explorar a acusação de que, por decisões de Mandetta, o ministério foi ineficiente durante sua gestão.

— É partir pra cima — diz Ciro Nogueira (PP-PI), aliado de Bolsonaro.

Fernando Bezerra (MDB-PE), líder do governo no Senado, diz que o governo está pronto para prestar esclarecimentos na CPI.

ASSISTA A CPI DA COVID AO VIVO:

Após a oitiva de Mandetta, está previsto depoimento do ex-ministro da Saúde Nelson Teich, às 14h. Ele ficou apenas um mês no cargo. Eles serão ouvidos na condição de testemunha. O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), pode colocar antes para votar os requerimentos de convocação do ministro da Justiça, Anderson Torres, e do ex-secretário de Comunicação Fábio Wajngarten.

A sessão será aberta com uma explanação de Mandetta. Depois, cada um dos 18 senadores poderá usar cinco minutos para formular os questionamentos, o mesmo tempo concedido ao ex-ministro. Após as respostas, os parlamentares terão três minutos para as réplicas e os depoentes outros três minutos para as tréplicas.

Os depoimentos de Mandetta e Teich devem ser marcados pela tentativa de senadores independentes e de oposição de apontar erros de Bolsonaro. Governistas, por sua vez, buscarão imputar a Mandetta, que tem atuação crítica a Bolsonaro, falhas da atuação do Executivo federal no início da pandemia.

O Palácio do Planalto quer aproveitar este primeiro dia de depoimentos para tentar diminuir o impacto das cobranças sobre a gestão de Eduardo Pazuello, que será ouvido amanhã. A estratégia é que senadores governistas critiquem Mandetta, por exemplo, pela orientação inicial de que as pessoas não procurassem imediatamente um médico ao sentir os primeiros sintomas de Covid-19. Ele também será questionado sobre o plano de logística para atender estados e municípios com medicamentos e respiradores, e acordos para adquirir vacinas.

Em outra frente, o Planalto vai insistir na tese de que agiu conforme decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que, em abril do ano passado, estabeleceu que estados e municípios têm autonomia para definir regras sobre isolamento social.

A estratégia do bloco independente e de oposição, por outro lado, é pressionar Mandetta e Teich a falarem de momentos em que tentaram agir para impedir o agravamento da pandemia e entraram em conflito com Bolsonaro. Um ponto crucial é a pressão para que o Ministério da Saúde indicasse remédios sem eficácia para Covid-19.

Acostumado com o ambiente do Congresso, Mandetta, que é ex-deputado federal, tende a centrar esforços em mostrar como o Brasil não se preparou para ter mais opções de vacinas. Ele classificou a atitude como “um erro” recentemente, em bate-papo transmitido na internet.

— Acho que esse é um erro, de tudo que eu vi lá para atrás, e agora estamos pagando (pela) falta (de vacina (...) Se pegássemos três, quatro (contratos de vacinas, em vez de apostar apenas na AstraZeneca), estaríamos chegando a 200 milhões (de doses garantidas).

Já o ex-ministro Nelson Teich, de perfil mais discreto e que passou apenas um mês na pasta, será instado a falar das pressões sofridas para assinar uma recomendação de uso ampliado da cloroquina e hidroxicloroquina. Ao GLOBO, o médico já admitiu em entrevista que sua saída se deve ao episódio:


— Foi um gatilho (a pressão para ampliar uso dos medicamentos) que me fez enxergar que eu não teria autonomia e legitimidade para fazer as mudanças que precisavam ser feitas.