Ao vivo: Queiroga desvia de perguntas e não diz se concorda com Bolsonaro sobre uso de cloroquina; acompanhe

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O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, tem evitado responder às questões dos senadores na CPI da Covid no Senado. Durante seu depoimento nesta quinta-feira, Queiroga se recusou a dizer se concorda ou não com a posição do presidente Jair Bolsonaro sobre uso da cloroquina no tratamento precoce da Covid-19, apesar da insistência do relator Renan Calheiros (MDB-AL) e do presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM).

Queiroga também foi questionado várias vezes sobre as declarações dadas pelo presidente na quarta-feira. Sem citar o nome do país, Bolsonaro insinuou que a China criou o coronavírus como parte de uma "guerra química". A resposta padrão do ministro na CPI foi a de que ele não poderia fazer juízo de valor sobre falas do presidente. Também houve perguntas sobre falhas do Ministério da Saúde antes de sua chegada ao cargo. Nesse caso, a resposta padrão foi a de que não poderia falar sobre gestões anteriores. O ministro afirmou, no entanto, que Bolsonaro lhe deu autonomia para formar sua equipe no Ministério da Saúde e que é a favor da autonomia de estados e municípios para adotar medidas restritivas como "lockdown.

No início da tarde, os senadores que compõem a CPI da Covid decidiram adiar para a próxima terça-feira o depoimento com o diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, que estava previsto para a tarde de hoje, para ouvir por mais tempo o ministro da Saúde.

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Sobre o uso da cloroquina, questionado por Renan logo no início, Queiroga disse que existem duas correntes da medicina sobre o medicamento, que é comprovadamente ineficaz. Ele afirmou também que a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) ainda vai se posicionar sobre isso, sendo o Ministério da Saúde a última instância a se manifestar no caso.

— Eu estou aqui na condição de testemunha, o senhor quer que eu emita juízo de valor. Não tenho que fazer juízo de valor sobre as posições do presidente da República — respondeu Queiroga à questão do relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL).

Diante da falta de resposta, Omar Aziz ironizou:

— Até minha filha de 12 anos falaria sim ou não. O senador Marcos Rogério (DEM-RO), da base aliada, disse que o ministro tem que se manifestar sobre fatos, e não dar opiniões.

O senador Marcos Rogério (DEM-RO), da base aliada, disse que o ministro tem que se manifestar sobre fatos, e não dar opiniões.

Renan questionou se há pressão hoje para incluir a cloroquina no tratamento de Covid-19.

— Não há pressão nenhuma — respondeu Queiroga.

Aziz aconselhou Queiroga a ser "bastante o objetivo e falar apenas a verdade para que não haja mais tarde problemas pessoais".

— Eu lhe aconselho, ministério, cargo, passa na nossa vida. A nossa vida vale mais do que um cargo que você possa exercer momentaneamente ou temporariamente. Por isso, aconselho Vossa Excelência a ser bastante objetivo para que não haja mais tarde problemas pessoais para Vossa Excelência, porque, pelo andar da carruagem, se troca de ministro como quem troca de camiseta — disse Aziz.

Após novos questionamentos de Jereissati, o ministro continuou sem responder a sua posição sobre o uso da cloroquina no tratamento da Covid-19. Tasso reclamou do fato de não haver uma posição do Ministério da Saúde sobre o tema e pediu para deixar registrado que o ministro não quis se manifestar sobre o tema.

Diante da negativa de Queiroga em comentar a declaração de Bolsonaro sobre a edição de um decreto para garantir a locomoção da pessoas, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) perguntou se o ministro concordava com a autonomia de estados para adotar medidas de restrição, como "lockdown".

— Claro que eu concordo — disse Queiroga.

O senador governista Ciro Nogueira (PP-PI) falou a respeito de denúncias de desvio de recursos públicos pelo país, ou seja, em estados e municípios. Queiroga comentou que isso é lamentável. Questionado sobre denúncias envolvendo o Ministério da Saúde, ele disse desconhecer.

Renan apresentou requerimento para convocar a secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, conhecida como “Capitã Cloroquina”, na CPI da Covid. Conforme revelou o GLOBO, ela admitiu que foi responsável pelo planejamento de uma comitiva de médicos que difundiu o uso de medicamentos sem eficácia comprovada contra o novo coronavírus em Manaus dias antes de o sistema de saúde do Amazonas entrar em colapso, em janeiro. O depoimento foi dado ao Ministério Público Federal (MPF) no Amazonas.

Antes de anunciar o pedido de convocação, Renan perguntou a Queiroga se ele foi pressionado a adotar protocolo de uso da cloroquina em estados e municípios. Queiroga evitou se posicionar sobre o medicamento, mas disse que nunca foi pressionado a usá-lo, nem autorizou a sua distribuição.

— Eu não autorizei distribuição de cloroquina na minha gestão. Eu não tenho conhecimento de distribuição de cloroquina na minha gestão — afirmou Queiroga.

Queiroga disse que "a questão do tratamento precoce não é decisiva no enfrentamento à pandemia". De acordo com ele, o que é decisivo é a vacinação e medidas não farmacológicas. Ele disse que o primeiro medicamento que mostrou eficácia para a Covid-19 foi a dexametazona.

Antes, os senadores começaram a bater boca após Renan fazer uma pergunta citando parte do depoimento do ex-ministro Nelson Teich, que, segundo os governistas, não seria verdade. Renan disse que, segundo Teich, o presidente Bolsonaro solicitou uma diminuição das entrevistas à imprensa. Para encerrar a briga, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), pôs panos quentes.

Ao responder outra questão de Renan sobre o que ele considera que faltou na condução da pandemia, Queiroga disse que era necessário o fortalecimento do SUS. Segundo o ministro da Saúde, antes da crise o Brasil já tinha UTIs lotadas, dificuldades nos Pronto Atendimentos e falta de médicos especialistas.

— Foi isso que faltou, sobretudo para atender os pacientes com síndromes respiratórias graves — reagiu Queiroga ao listar as questões. Ele também disse que é necessário garantir subsídios para uma parceria entre União, estados e municípios para "dar as respostas que a sociedade exige":

— Não é só do Executivo ou do Ministério da Saúde, é de todos os homens públicos desta nação, os prefeitos, os governadores, enfim, todos nós. Sobre quais medidas tomadas em sua gestão que não faziam parte das conduções anteriores.

Queiroga respondeu que tem buscado "fortalecer a vacinação, as medidas não farmacológicas". Ele não quis analisar a gestão anterior. Queiroga disse, ainda, que sua chega ao Ministério da Saúde representa uma mudança de posicionamento do governo federal. De acordo com ele, o governo pretende fazer ajustes.

Ao defender uma "campanha publicitária mais intensa para trazer a adesão da população", Queiroga comparou as dificuldades do Brasil às enfrentadas por outros países.

— Estamos trabalhando fortemente para apresentar protocolos assistenciais, que disciplinem a mobilidade urbana, a questão do distanciamento social, a adoção de uma política publicitária mais intensa para trazer a adesão da população. Sabemos que não é tarefa simples, vários sistemas de saúde do mundo tiveram dificuldade, o sistema italiano, inglês, o próprio sistema americano... — disse Queiroga.

O relator da CPI rebateu, dizendo que os chefes de Estado estrangeiros não trataram o novo coronavírus como "gripezinha", em referência a uma declaração do presidente Jair Bolsonaro.

— Mas não dá para comparar porque nenhum chefe de Estado desses países tratou o vírus como gripezinha — rebateu Renan.

No início da sessão, Queiroga também insistiu na necessidade de vacinar as pessoas e também no uso de máscaras e outras medidas:

— Já temos diagnóstico. Precisamos investir fortemente na vacinação da população. Temos que orientar a população a aderir às medidas não farmacológicas. É preciso reforço reiterado, como o uso das máscaras. Adotar política de testagem para isolar pacientes. E temos que fortalecer o nosso sistema de saúde para que seja capaz de atender os casos mais graves.

Queiroga afirmou que o vírus é o único inimigo, e que a solução passa pela vacinação. Ele pediu um voto de confiança aos senadores e destacou que os parlamentares são "os legítimos representantes dos Estados" e que eles precisam atuar juntos para superar a crise sanitária.

— Nós só temos um inimigo, o vírus. E temos que unir as nossas forças par cessar o estado pandêmico dessa doença. Além dos aspectos sanitários, temos os aspectos sócio-econômicos que criam desfechos que são muito desfavoráveis, que podem levar nosso país a uma situação muito complexa — disse Queiroga, acrescentando:

— A solução para a pandemia é a campanha de vacinação. Precisamos vacinar a população.

Queiroga informou que há 430 milhões de doses efetivamente contratadas. Somadas a outras da Fiocruz, que não têm contrato, mas, segundo ele, estão asseguradas, são 562,9 milhões.

Ao pedir um voto de confiança no começo do seu depoimento, Queiroga disse:

— Não devemos aprofundar nossas divergências, e sim construir estradas pavimentadas para a saída dessa crise sanitária complexa — defendeu Queiroga. E acrescentou:

— Gostaria de pedir um voto de confiança para que o nosso trabalho feito no Ministério da Saúde possa ser continuado, possa ser aprimorado.

Mais tarde, o senador Marcos Rogério (DEM-RO) citou a declaração do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, de apoiar a quebra de patentes de vacinas de Covid-19. Queiroga comentou:

— O meu temor é não termos condições, mesmo com a quebra da patente, de produzir essas vacinas no Brasil. Como nosso programa está calcado em vacinas da Pfizer, Janssen, isso pode interferir negativamente no aporte de vacinas para o Programa Nacional de Imunização. Claro que isso é uma opinião inicial. Vi que o presidente Biden se manifestou. Isso carece de análise mais detida.

À CPI, Marcelo Queiroga disse que não foi consultado sobre a possibilidade de um decreto citado ontem pelo presidente Jair Bolsonaro para garantir o que ele chamou de "direito de ir e vir" da população durante a pandemia.

— Não fui consultado. Não estou participando da elaboração desse decreto — afirmou Queiroga.

O ministro evitou se manifestar sobre o mérito de um decreto para impedir medidas restritivas em estados e municípios, mas, após ser pressionado, respondeu que concorda em assegurar a "liberdade das pessoas", de forma genérica.

— O presidente me falou que queria assegurar a liberdade das pessoas. Com isso, eu concordo — reagiu.

Queiroga declarou que Bolsonaro tem indicado que quer "evitar situações extremas em que haja fechamentos de cidade" e que não há consenso sobre fechamentos nacionais.

— A questão de discutir o que o presidente vai fazer, não tenho que fazer juízo de valor. Se o senhor quer que eu concorde ou não é fazer juízo de valor — disse.

Na sua vez perguntar, o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) questinou se Queiroga tinha conhecimento de alguma informação que aponte a origem do coronavírus como uma "guerra química" proveniente da China.

— Eu desconheço esses aspectos. O que posso dizer em relação à China é que nossa relação com o embaixador da China é a melhor possível — disse Queiroga.

Jereissati insistiu se Queiroga sabia se, nas instituições mundiais de credibilidade, há algum indício de que isso seja produto de alguma guerra química.

— Desconcheço indícios de guerra química — respondeu o ministro.

Queiroga chegou a dizer que Bolsonaro não mencionou a China. Jereissati rebateu, argumentando que, mesmo sem mencionar o nome do país, as declarações do presidente apontava sim para a China.

Antes de Queiroga começar a falar, Tasso Jereissati anunciou que vai apresentar um requerimento convidando o diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, para comentar declarações dadas pelo presidente Jair Bolsonaro na quarta-feira. Sem citar o nome do país, Bolsonaro insinuou que a China criou o coronavírus como parte de uma guerra química. Segundo Tasso, ou o país está numa guerra, ou é uma injúria e calúnia contra o maior fornecedor de vacinas do Brasil contra a doença.

— Queria fazer um requerimento para convidarmos a Abin, o responsável pela Abin, para vir à comissão e explicar essa questão de guerra química, se existe ou não. Se não existe, é um verdadeiro boicote intencional à compra de vacinas, ou envio de vacinas por parte da China. Esse é o requerimento que vou apresentar — disse Jereissati.

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