Ao vivo: 'Sou uma testemunha viva da política criminosa dessa corporação', relata paciente da Prevent à CPI da Covid

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BRASÍLIA — A sessão da CPI da Covid desta quinta-feira foi marcada pelo forte depoimento do paciente Tadeu Frederico Andrade, cliente da Prevent Senior que recebeu o tratamento paliativo, o chamado "kit covid". Ainda na sua fala inicial, Andrade disse se considerar uma "testemunha viva da política criminosa dessa corporação". Após ser infectado com o novo coronavírus, o paciente diz ter recebido remédios comprovamente ineficazes contra o vírus.

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O paciente relatou uma reunião entre os médicos e sua família, que não aceitou o tratamento proposto, ameaçando ir à Justiça e à imprensa.

— Em pouco dias eu estaria vindo a óbito. E hoje estou aqui - disse Tadeu, começando a chorar.

— Teria sido assassinato — interveio um senador.

— Sim, senador.

Andrade apontou também o papel de um médico contratado pela família para mantê-lo vivo:

— Minha família, desconfiada da estrutura da Prevent Senior, contratou um médico particular para fazer a fiscalização dos procedimentos internos. Minha família não confiava mais na Prevent Senior. Esse médico foi um verdadeiro fiscal. Acho que estou vivo também por causa dele.

O paciente afirmou que tomou flutamida, remédio para câncer de próstata, sem autorização da família. Senadores criticaram isso.

— Fez esse teste com ele, usando flutamida. Quer dizer, fizeram todo tipo de teste sem nenhum estudo clínico correto — disse Otto Alencar (PSD-BA), que é médico.

Questionado por Renan, Tadeu Andrade disse não ter sido ameaçado pela Prevent Senior após a denúncia. Disse também que continua usando o plano de saúde, uma vez que precisa dele em razão do acompanhamento do estado de saúde que continua fazendo. Tadeu Andrade firmou ter conseguido acesso a seus prontuários após muito trabalho e insistência com a Prevent Senior.

Renan Calheiros mandou exibir vídeos do presidente Jair Bolsonaro defendendo o uso da cloroquina contra a doença. Em seguida, Walter Correa de Souza, que foi médico da Prevent Senior, disse que os remédios do "kit covid" não têm eficácia comprovada contra a Covid-19. Ela afirmou que, no início da pandemia, havia pessoas que queriam tomar cloroquina, ficando até agressivos. Isso ocorria mais em outros hospitais onde ele também trabalhou, e não na Prevent Senior, uma vez que lá havia orientação para dar esse e outros medicamentos. Com o tempo, afirmou o médico, a ficou cada vez mais comum uma paciente pedir a prescrição de cloroquina.

O relator da CPI, Renan Calheiros, disse que a CPI está atuando contra o negacionismo e as trevas, mas infelizmente o país está próximo de alcançar a marca de 600 mil mortes pela doença em razão da "estupidez do governo federal". Ele fez um breve balanço da comissão.

— Ela já deu certo. Evitamos a corrupção na aquisição de vacinas, forçamos a aceleração da vacinação, tirando o governo da abolia mortal, e soterramos o negacionismo medieval — disse Renan.

O relator atacou experimentos ineficazes feitos com pacientes:

— No que depender deste relator e desta CPI, eles pagarão muito caro por seus crimes. Eles e todos os agentes públicos que contribuíram por ação, omissão, desídia e incompetência.

Antes do início da oitiva, os senadores deliberaram outros temas. Segundo o relator da comissão, o ministro da Saúde Marcelo Queiroga "já produziu todos o motivos, provas e indícios para ser exemplarmente indiciado" pela CPI. Queiroga já foi ouvido duas vezes pelos senadores e, desta vez, não respondeu questionamentos no prazo estabelecido.

Por isso, sua reconvocação foi aprovada e ele precisará prestar novo depoimento à comissão. A data ainda será marcada pelo presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM). Integrantes da comissão estão insatisfeitos com a possível interferência política na Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), órgão ligado à pasta, para que não aprove um documento contraindicando o uso da cloroquina para tratamento precoce da Covid-19.

Além disso, os senadores da comissão aprovaram requerimento para requisitar à Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal o boletim de ocorrência feito pela secretária de Gestão do Trabalho e da Educação do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro, conhecida como "Capitã Cloroquina", contra o chefe de gabinete do ministro da Saúde, João Lopes de Araújo Júnior, por ameaça.

Segundo revelou a rádio "CBN", Pinheiro afirmou que tem sido ameaçada em conversas por aplicativo e acusada injustamente de conspiração por Araújo Júnior, que é funcionário de Marcelo Queiroga. Para o relator Renan Calheiros, o episódio mostra o "nível de degradação" em que o governo está.

Tadeu de Andrade foi paciente da Prevent Senior e, após se infectar com o novo coronavírus, recebeu o chamado "kit covid", com remédios comprovadamente ineficazes contra a Covid-19. Após tomá-los seguindo a prescrição médica, o quadro de Andrade piorou e ele precisou ser internado. Segundo o paciente, após um mês na UTI, a equipe da Prevent queria tirá-lo da internação para reduzir custos e colocá-lo sob cuidados paliativos — o que foi recusado por sua família. Após se recuperar, Andrade denunciou o ocorrido à comissão e ao Ministério Público de São Paulo.

Já o médico Souza Neto trabalhou na Prevent Senior, e afirma ter sido pressionado, assim como outros profissionais de saúde da rede, a prescrever o "kit covid". O tratamento não é autorizado pela Anvisa. Os senadores querem esclarecer se houve fraude no estudo clínico produzido pela Prevent Senior — e divulgado por membros do governo federal — sobre a segurança e eficácia do uso de hidroxicloroquina em associação com azitromicina em pacientes com a Covid-19.

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