Aos 50 anos de carreira, Isabelita dos Patins lembra relação abusiva: 'Ele me seguia com uma peixeira'

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Figura folclórica do carnaval do Rio e conhecida em todo o país, Isabelita dos Patins está comemorando cinco décadas de carreira. Da primeira vez que se vestiu de sua famosa personagem, em 1971, ao momento atual, quando como todo artista tenta sobreviver em meio à pandemia, o argentino Jorge Omar Iglesias, seu intérprete de 71 anos, faz um balanço de sua trajetória.

"Não faço show, não sei cantar nem dançar. Meu objetivo sempre foi levar alegria. Quando surgi, não existia drag queen, a gente era chamado de caricato. Aí criei essa personagem carismática e muito família", diz Isabelita ao canal "Pheeno", no YouTube.

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Isabelita viveu seu auge quando foi fotografada em 1993, em pleno calçadão de Copacabana, dando um beijo no rosto do então Ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso: "Minha foto estava estampada na capa dos jornais. Depois disso, viajei o país todo e fui chamada até para o exterior".

Mas a artista não esconde os dramas pessoais, como a relação abusiva do qual foi vítima durante 11 anos. "Ele me seguia nos lugares com uma peixeira na mão. Ele também ameaçava quem se aproximava de mim. Aguentei durante muito tempo até que dei queixa na polícia. Perseguida, precisei sair de casa e fui morar com um amigo. Mais de uma ano depois, quando voltei, só encontrei em casa o trilho da cortina. Ele tinha levado tudo".

Sobrevivente que é, Isabelita dos Patins gostaria de comemorar os 50 anos de trajetória em grande estilo. Mas, por enquanto, não será possível. "Tenho um sonho que é ganhar o título de Cidadão Honorário da cidade do Rio", afirma.