Aos 50 anos, Seu Jorge diz: 'Minha segunda juventude começa agora'

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Nome forte da indústria musical, Seu Jorge é tido com um dos mais elegantes do meio. Direto, ele diz que a maior referência é o pai, que fazia uma apresentação impecável com as poucas coisas que tinha no ármario. Também cita a icônica jaqueta de Michael Jackson, combinada com meias e bainha da calça mais curta. Looks de Madonna e Lady Gaga também estão entre suas lembranças.

Em entrevista exclusiva à ELA, o cantor sobre moda, sobre as filhas e vida particular.

Qual é a importância da moda para contar sua história na música?

No começo do ano, decidi mexer um pouco na minha identidade visual e eu que escolho os looks que estão no meu armário. Não tenho alguém que faça isso por mim, é sempre sobre meu humor do dia. Meu trabalho é meu astral do dia. Cada roupa que visto traz muito de dentro de mim à minha imagem externa e até pela impressão que causo nas pessoas ao me encontrarem. Sempre estamos em busca de uma impressão agradável quando chegamos e também quando saímos. Na música, por exemplo, a moda tem muita força e minha maior lembrança é jaqueta do Michael Jackson, junto com a meia, a bainha da calça mais curta para mostrar a meia. Madonna também por toda a sua influência marcante na moda. Lady Gaga também e me recordo de suas cinco trocas de roupa em uma premiação da MTV. Enfim, a moda e música caminham juntas. Música estimula o movimento, o comportamento e acho importante termos nossa música abraçada e vestida.

De onde vem tanta elegância? Quais são suas referências?

Minha maior referência é o meu pai, que com pouca coisa que tinha no armário, sempre trazia uma apresentação impecável. Elegância tem a ver com propósito, com aquilo que você está predisposto a ser em sua vida, com o mundo e nas relações com as pessoas. Você vai aprimorando e assimilando esse senso se elegância com tantas pessoas, mas a minha primeira referência de elegância está na figura do meu pai e do irmão dele, meu tio, um ano mais velho. Não é nas vestes, e sim no porte e na postura. E não no corte e na costura.

Qual é o look mais icônico da história da música?

Há duas referências atemporais e em tempos distintos. O primeiro visual mais impactante que eu tive foi Ney Matogrosso, em termos visuais, do que ele propunha com a máscara e a pintura. E outro foi a banda Kiss, que foi influenciada por ele. A banda Kiss foi algo maluco, quando vi pela primeira vez, que me impactou da mesma forma. Anos depois, David Bowie, pela facilidade de se transformar no personagem que ele desejava. Logo depois, entendi que Bowie, além de grande artista, criador e música, era também um grande ator.

Como foi assumir o papel de modelo para uma marca de sandálias?

Bom, não sou modelo, mas a Kenner me escolheu como personalidade e nesse lugar de personalidade não tenho desconforto nenhum. Mas ao ser visto como modelo, talvez eu me sentiria, sim, desconfortável, até porque não tenho nem ideia de como eu ensaiaria.

Que tipo de pai você é?

Tive um pai maravilhoso. Por mais que as adversidades dissessem o contrário, eu tive um pai incrível, e que não criou só a mim mas meu irmãos também com o diálogo, sem precisar alterar a voz, impor autoritarismo algum ou qualquer comportamento que viesse a adestrar ou enquadrar uma criança. Aprendi isso com ele. Sou um homem de diálogo com as minhas filhas e conquistei a confiança delas através disso.

Aos 50 anos, o que se ganha e perde? Como é essa fase da vida?

Minha segunda juventude começa agora. Entendo que agora é uma possibilidade de fazer algo diferente. Particularmente, estou numa fase interessante, comigo mesmo. E não mais com tantas responsabilidades que me afligiam há 10 anos atrás, quando minhas filhas eram bem pequenas. Hoje, já estão maiores, encaminhadas e certas do que querem seguir e tal mudança me abre espaço para o meu tempo, meus projetos e estou muito contente de estar presenciando esse momento agora.

Como consegue ser um dos nomes mais fortes da indústria e ter uma vida tão discreta?

Vivo minha vida com naturalidade. Um dia de cada vez. Fazendo com que isso seja positivo nessa estrada que venho trilhando com a minha carreira e nas minhas escolhas e é um privilégio poder ter a apreciação do público e dos meus colegas pelos quais tenho enorme gratidão e respeito. Junto às minhas ambições, vai muito além das minhas ambições primárias. Não se trata de se dar por satisfeito, mas sou uma pessoa muito grata a todas as oportunidades que me surgiram e que continuam surgindo.

É casado? Como fica esse lado viajando tanto, quando se podia?

Não sou casado, me divorciei há 6 anos com a mãe das minhas filhas. Hoje, nos últimos dois anos, as viagens e compromissos intercontinentais que eram muitos se reduziram muito em razão das restrições. O ano de 2020 foi um ano que eu, ainda assim, procurei estar em movimento, sem deixar de ter contato com o público e com a música. Em 2021, estou muito envolvido com o cinema e produções cinematográficas e isso tem me exigido um tempo de concentração profundo, mas logo menos, estarei de volta fazendo concertos assim que entendermos que não só com a flexibilização, mas as condições estarão adequadas para que a gente receba o público. Que valha a pena que tenhamos as pessoas de novo, torcendo sempre para que as atividades voltem e que a gente possa ter mais mobilidade.

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