Aos 55, Supla se reinventa como influenciador, investe em negócio digital e dá um tempo na maconha: 'Só fim de semana'

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Se alguém tem a capacidade de se reinventar, esta pessoa é Supla. O roqueiro já fez de tudo um pouco nessa vida. Pioneiro de reality show, ator, cantor, filho de políticos, escritor, namorado de estrela do rock alemão, jogador de polo... São muitas as vidas dentro da vida de Eduardo Smith de Vasconcellos Suplicy. O nome de príncipe é honrado pela elegância com que ele responde às perguntas mais toscas dos fãs, cada vez mais jovens, e que faz sucesso com a nova geração.

Supla até poderia ser "cringe" (a expressão do momento) no idioma que ele ama e mistura ao português sempre correto. Mas não é que o eterno Papito agora virou influenciador até para a geração Z? "Eu não sou cringe. Sou king", brinca ele, do alto de seus 55 anos: "As novas gerações têm que vir mesmo para chutar a bunda dos velhos como os Sex Pistols fizeram com os Beatles. A minha já foi chutada várias vezes".

A julgar pelo número de seguidores da "molecada", como se refere a eles, Supla não está levando tanto pé na bunda. Pelo contrário. O mercado corporativo está de olho em seus números. "Faço propaganda de biscoito e de banco. E tô nem aí se tiver que mandar tomar naquele lugar também", dispara ele, que credita a popularidade à irreverência e à sua genuinidade: "Levo o mundo digital muito a sério, é business mesmo. Falo com milhares de pessoas, tenho oportunidade de mostrar minha música, que é consumida por mais e mais pessoas. Tenho que agradecer ao público mesmo. Mas também me mantenho porque não sei fazer o negócio direito, mas sou de verdade".

Curioso, Supla ouviu de um amigo em Los Angeles que o futuro da internet agora é investir em NFT, uma espécie de certificado digital, estabelecido via blockchain (carteira de moeda criptografada), que define originalidade e exclusividade a bens digitais. Ou seja, qualquer coisa que seja realmente seu no mundo virtual pode ser vendido. Supla, por exemplo, botou um vídeo do TikTok e o vendeu por 1 Ethereum (ETH), criptomoeda da mesma rede blockchain e que pode equivaler a R$ 11 mil: "Eu não sabia de nada e esse meu amigo disse que isso aí está explodindo lá fora".

Um dos maiores sucessos de suas redes sociais acontece quando ele responde perguntas dos fãs. Algo que ele trouxe do TikTok. Sim, Supla é um tiktoker. "Eu acho ótimo o aplicativo para dar oportunidade para novos talentos. Poxa, um cara da periferia pode mostrar a dança dele e explodir", opina. Ele próprio diz que quer dançar por lá: "A próxima música que vou dançar lá vai ser 'Pássaros chapados'".

Por falar em chapado, Supla diz que está dando um tempo da maconha. "No começo da pandemia fiquei cinco meses sem fumar. Agora, só fim de semana. É bom para o cérebro descansar", justifica ele, que é a favor da liberação das drogas: "Se eu fosse presidente, os impostos que seriam taxados na venda da maconha, eu destinaria à saúde e à educação".

Ele é irreverente? É. Mas fala sério quando olha para o momento que o país atravessa. Na última sexta-feira lançou com o irmão João Suplicy a música-protesto "Sai fora, Bolsonaro". O conteúdo é autoexplicativo. "Eu entendo que ele foi eleito por uma democracia. Se estivesse fazendo algo de bom, eu não diria nada. Mas este presidente não fez nada. Está acontecendo uma CPI e eu pergunto: pra quê? Se o cara tira a máscara de uma criança numa aglomeração, se não dá apoio a uma família que perdeu alguém para essa doença, se não vai a um hospital, isso já seria motivo suficiente para tirá-lo de lá", opina, sem receio de perder seguidores: "O que não quero é perder o direito de falar o que penso como brasileiro. quem me segue sabe exatamente como eu penso".

Filho de Eduardo Suplicy e Marta Suplicy, Supla cresceu no meio político e fez do rock a sua doutrina. Bem nascido e bem criado dentro de uma família quatrocentona de São Paulo, desde novo fez sua escolha: a de se manter sempre jovem. Passado meio século de vida, ele sabe que o corpo já não é o mesmo, embora se cuide bastante. "Não tem jeito, uma hora o corpo sofre. Mas a cabeça não. Vou morrer com os mesmos pensamentos. É claro que a gente evolui, amadurece, mas a essência está lá até morrer", analisa.

Filomena, a avó paterna, morreu com 105 anos. Supla não pretende chegar tão longe. "Man, acho difícil...", admite. Com ela, aprendeu a dar valor à religião. "Até hoje, antes de pegar uma onda ou entrar no palco, faço o sinal da cruz. Sei nem por que, mas faço. Dou muito valor a todas as religiões, tenho profundo respeito. Porque é onde o povo pode se apegar e ter esperança".

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