Aos 57, Paulo Zulu relata volta de Bali em avião fretado e critica falta de teste em aeroporto: ‘Só mediram temperatura’

Carol Marques
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Paulo Zulu relata volta de Bali em avião fretado e critica falta de teste em aeroporto: ‘Só mediram temperatura’

Paulo Zulu já esteve 23 vezes em Bali, na Indonésia. O ator é praticamente um local tantas as viagens que fez para surfar naquelas bandas. Mas a última vai marcar, não da melhor forma, sua estada. Ele conseguiu chegar ao Brasil no último dia 22, num voo fretado pelo Itamaraty para repatriar os brasileiros que estavam viajando e não tinham como regressar de países como Vietnã, Camboja e a própria Indonésia. “Minha passagem foi cancelada e não havia uma data para voltar. Até pensei em ficar por lá e esperar passar”, conta Zulu, que tinha retorno marcado para o dia 16 de maio.

O ator viajou com a namorada, Elaine Quisinski (ela em sua terceira temporada) no início de março. “Aqui a gente ainda não tinha a quarentena, mas já se falava em casos de coronavírus, então, decidi ir pra lá logo”, explica Zulu. Quando chegaram à ilha, os dois ainda conseguiram aproveitar as paradisíacas praias locais até que as notícias de pandemia começaram a pipocar nos telejornais indonésios. “E isso começou a alarmar a população, as praias foram fechadas, os templos e parques também. Até conseguia passar por trilhas para chegar a algumas praias, mas não iria burlar a lei de um lugar que eu amo tanto”, descreve.

A rotina de Zulu passou a ser de contemplação e algum trabalho. “Pegava a moto, dava um giro, olhava o mar de longe e depois fazia umas pranchas com um amigão que mora lá há anos”, recorda: “Nada de tão diferente, porque as coisas em Bali são bem simples”.

A simplicidade, no entanto, foi até um agravante desta vez. “Como as notícias chegavam muito truncadas, e a população ainda é muito desinformada, achavam que os turistas estavam levando o vírus até eles. Até por que, turista ou leva dinheiro ou leva doença. Então, mesmo usando máscara, as pessoas mandavam a gente voltar para casa, para o nosso país”, conta.

Foi quando Zulu sentiu que já era hora de voltar. “A Elaine estava de boa, eu também, mas ficar lá sem previsão de volta não daria. Liguei para o consulado 11h, ao meio-dia recebi a confirmação de lugar no voo e às 18h estávamos no aeroporto”, diz ele, que levou mais de 24 horas para pousar no Brasil: “E, ao chegar, ninguém recomendou quarentena, isolamento, nada. Mediram nossa temperatura no aertoporto e só. Pedi para fazer teste e disseram que não tinha disponível. Aí fica difícil”.

Já de volta à Guarda do Embaú, em Santa Catarina, seu paraíso particular, Zulu mantém sua rotina. Saudável, que seja lembrado. No chamado grupo de risco, aos 57 anos, Zulu faz pouco caso do vírus: “Não penso que vou morrer ou que eu precise de medidas extremas. A doença vem de dentro para fora. Sempre mantive uma vida saudável e a positividade. Tive Malária e sobrevivi. Não é um vírus que vai me matar”, avisa ele, que no momento só quer agradecer ao país pela oportunidade de estar de volta: “Independentemente de lado, esquerda, centro, direita, a gente tem que reconhecer que alguém pensou em resgatar seu povo. Como brasileiro, fiquei muito feliz e grato. E não fizeram isso porque era o Paulo Zulu. Entrei naquele avião como o Paulo César”.