Aos 86 anos, Isaac Karabtchevsky volta a reger a Orquestra Petrobras Sinfônica diante do público

·2 minuto de leitura

A Orquestra Petrobras Sinfônica se preparava para as homenagens aos 250 anos de nascimento de Beethoven quando a pandemia se instaurou pelo mundo, no ano passado.

— Lembro-me bem, era a quinta sinfonia, a orquestra em grande forma, e o “tá-tá-tataaaaa”, o conhecido tema, o mais emblemático da história da música, já prenunciava a catástrofe humanitária — diz Isaac Karabtchevsky, diretor artístico e maestro titular da companhia.

Aos 86 anos, ele, então, teve que tirar seu time de campo. Se isolou em seu sítio no Vale das Videiras, em Petrópolis, onde passou os últimos 18 meses. Saiu do retiro e desceu a Serra pela primeira vez só agora e por um bom motivo: vai reger a Opes em apresentação hoje na Sala Cecília Meireles, às 19h. O programa do concerto é dedicado a Mozart com seu “Concerto para clarinete em Lá maior” (a participação especial do solista Cristiano lves) e a Schumann, com a “Sinfonia nº 4, em Ré menor”.

— Quando surgiu a oportunidade de voltar a reger, nos deparamos com a nova realidade: o uso obrigatório de máscaras e o distanciamento entre músicos. Tivemos que nos defrontar com um menor número de artistas no palco e, consequentemente, eleger obras compatíveis. Veio-me logo a ideia de Schumann e a maravilha de sua 4ª sinfonia. Para completar, nada mais do que uma das obras-primas de Mozart, seu concerto para clarinete — conta o maestro. — Estar à frente de meus queridos músicos me emociona .

Um dos principais maestros brasileiros em atividade e reconhecido internacionalmente, Karabtchevsky conta que se apoiou na literatura durante o refúgio:

— Se você me perguntar como suportei o isolamento, é simples: já tinha acumulado muitos livros, destinados a épocas de maior folga face aos inúmeros compromissos. Foi bom mergulhar em Dostoiévski, Thomas Mann, Vassili Grossman e tantos outros. Só não contava que a epidemia durasse tanto tempo. Com a espera pela retomada, cresciam proporcionalmente as fases de angústia.

Nascido em São Paulo, Isaac Karabtchevsky começou a carreira regendo o Madrigal Renascentista, coro profissional de Belo Horizonte que fundou com os maestros Carlos Alberto Pinto Fonseca e Carlos Eduardo Prattes. Antes de assumir a Petrobras Sinfônica, foi diretor artístico da Orquestra Sinfônica Brasileira, do Teatro La Fenice, em Veneza, da Orquestra Tonkünstler, de Viena, e da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre.

— Os momentos mais desafiadores foram quando assumi o La Fenice, um dos mais respeitados teatros de ópera da Itália. Tive que afrontar uma profusão de títulos inéditos em curto espaço de tempo: “Erwartung”, de Schoenberg; “Boris Godunov”, de Mussorgsky; “Sadko”, de Rimsky-Korsakov; “Tristão e Isolda”, de Wagner, e muitos mais. Foi um tour de force, mas eu adorei — lembra

Se a pandemia o forçou a parar por um tempo, agora, ele assegura, há muito trabalho pela frente.

— Aos 86 anos, a ideia de parar é para mim impensável, não poderia conviver com aposentadoria.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos