Aos 87 anos, Ary Fontoura fala sobre a quarentena e o sucesso nas redes: 'Bom humor como saída'

Aos 87 anos - mais de cinquenta deles  na TV Globo -, Ary Fontoura tem encarado o período de isolamento em seu apartamento em São Paulo.  Até aqui, são exatamente 70 dias de confinamento, segundo o próprio ator: "Eu conto". É bastante consciente do cenário de pandemia que acontece no Brasil e no mundo e conta que faz questão de seguir as orientações da Organização Mundial de Saúde à risca. Tem lá seus momentos de fraqueza, é verdade, "como todo ser humano", mas nem por isso deixa a peteca cair.  Prefere o enfrentamento com outras duas armas poderosas: bom humor e leveza.

Prova disso é que tem divido com seus fãs e admiradores parte da sua rotina. Ele não fica parado: faz exercícios, cozinha, lava louças, prepara bolo, toma sol, lê... Tudo isso em seu apartamento. Além disso, reflete sobre a vida e mantém contato com parentes e amigos, mesmo que virtualmente.  Assim como no nobre ofício, o cotidiano do ator também entretém. No Instagram, por exemplo, acumula mais de 630 mil seguidores em seu perfil. Ele conta que  ama o carinho que recebe de volta. Diz que é  "imbuído de um sentimento de gratidão".

"Quando você tem uma epidemia, a morte é uma constante na sua cabeça. E também em como você vai passar por tudo isso. Eu também tenho os meus momentos (de tristeza). Mas achei como (como saída) o bom humor", conta Ary, ao Extra, antes de acrescentar:

"Sou uma pessoa que gosta de sair, conversar com as pessoas. Vivo muito o hoje, não o que passou ou ainda virá. Mas tento achar felicidade nisso também. Tenho o privilégio de poder ficar em casa, e assim estou seguindo a vida. (Fazer o esforço) de pensar em coisas boas, ser otimista".

Ary segue o raciocínio e comenta que o "estar em casa" soa como momento de prazer e de descanso, num cenário sem pandemia. Mas a coisa muda de figura quando, de certa forma, se é "coagido a ficar" pelo próprio bem de si mesmo e dos outros.

"O isolamento traz tempo diferente, então aproveito para criar coisas", explica ele, que achou na rotina uma forma de ter mais contato com o seu público. Optou pela "simplicidade. "Fico tão agradecido. Falam muito comigo e eu respondo sempre. Gente de outros países também, falam como se conversassem com um amigo", afrima ele.

"As pessoas estão confinadas e isso também trás uma outra dimensão para a solidão. E a reflexão de como a gente é pequeno diante de tudo no mundo".

O veterano garante que é um período em que ele também se transforma. Revê conceitos, fala com amigos que não tinha contato desde muito tempo, redimensiona o peso de acontecimentos e exerce perdão a situções, agora, apequenadas diante da vida.

"Pensar melhor em tudo. Ligar. Perdoar. Reconstruir amizades. Tudo que é feito em nome do amor não é sacrifício."