Aos 95 anos, artista plástico sai de casa para trabalhar todos os dias: 'Médicos interferem na minha rotina'

O Globo
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RIO — Aos 95 anos, o pintor Eduardo Sued acorda todos os dias por volta das 9h. Toma café, faz bicicleta ergomética por 20 minutos e se alonga. Em seguida, sai de casa, em Ipanema, rumo ao ateliê que mantém em Jacarepaguá. Quem o leva é seu motorista, com quem almoça, por volta das 15h, uma marmita preparada por sua cozinheira. Ele adora a comida, que costuma incluir pratos da gastronomia árabe, saladas e frutas. É também um apaixonado pelo trabalho: só sai de lá às 17h, e, ao chegar em casa, cumpre novo ritual. Tira um cochilo, relaxa em sua cadeira de massagem, ouve música clássica, janta e vai dormir, lá pelas 23h.

Ele costuma dizer diz que quem atrapalha sua rotina são os médicos.

— Eles não me deixam livre, já expliquei que interferem na minha rotina; às vezes só me deixam trabalhar duas vezes na semana. O pintor precisa trabalhar mais do que isso! Mas aí tem consulta, exame... — lamenta.

Sued conta que nasceu gostando da pintura, e que é o primeiro a apreciar o seu próprio trabalho.

— Faço pintura para mim e pretendo morrer assim. Minha médica acha que eu vou até os 104 anos, mas acho um absurdo, um verdadeiro exagero — conta ele, cujo trabalho pode ser visto atualmente numa mostra coletiva na galeria Mul.ti.plo, no Leblon.

A esposa de Sued faleceu há dois anos, e hoje ele vive cercado de seu motorista, que também o auxilia no ateliê, da cozinheira e de uma cuidadora. Com a Covid-19, várias vezes estes pediram, em vão, que não fosse trabalhar, o que simplesmente não é uma opção. Ele segue à risca os protocolos de segurança, põe a máscara e toca para Jacarepaguá.

— Recebo compradores e colecionadores, de máscara. Quero que a vacina venha logo, mas vou esperar para tomar: quero saber antes se vai dar resultado mesmo.

Sued gosta de lidar com cores, formas, proporções, linhas.

— Desde a infância adoro as cores. Minha família não queria que eu fosse pintor e cheguei a cursar Engenharia por três anos. Depois, fui para a Europa estudar arte e viver a minha vocação. Morei três anos em Paris três anos. Hoje, eu busco o silêncio, como se estivesse em busca do nada — explica.

Para uma vida longeva, Sued segue uma fórmula já consagrada, mas nem sempre fácil de seguir:

— Não fumar, não comer muito e se alimentar com alimentos frescos. Fazer o que gosta também é muito importante, além de praticar esportes.

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