Aos gritos de "Moro presidente", ex-juiz da Lava Jato se filia ao Podemos

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  • Sergio Moro
    Jurista brasileiro, ex-Ministro da Justiça e Segurança Pública do Brasil
Former Brazil's Justice Minister Sergio Moro arrives at a hotel after a meeting in the Federal Police headquarters, in Brasilia, Brazil May 12, 2020. REUTERS/Adriano Machado
Sergio Moro foi figura central da Operação Lava Jato, que condenou Lula, e depois assumiu o cargo de ministro da Justiça no governo de Jair Bolsonaro (Foto: REUTERS/Adriano Machado)
  • Ex-juiz e ex-ministro Sergio Moro se filiou ao Podemos nesta quarta-feira (10)

  • Sergio Moro exaltou a própria trajetória, falou como "outsider" da política e listou decisões como juiz da Lava Jato

  • Evento teve tom de campanha eleitoral e discursos de Renata Abreu, presidente do partido, e do senador Álvaro Dias

O ex-juiz e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro se filiou oficialmente ao Podemos, partido do senador Álvaro Dias, nesta quarta-feira (10). Com direito à slogan de campanha, "Um Brasil mais justo para todos", Moro foi exaltado e aplaudido pelo público, que cantava: "Brasil, pra frente, Moro presidente". 

"Eu não tenho uma carreira política e não sou treinado em discurso político. Alguns dizem que não sou eloquente. Muita gente critica a minha voz. Mas, se eventualmente, eu não sou a melhor pessoa para discursar, posso assegurar que sou alguém em quem vocês podem confiar", disse Sergio Moro. 

Moro negou que tenha ambições políticas, mas afirmou que "sempre estará à disposição", caso seja considerado o nome mais apropriado para liderar um "projeto de país" - não de poder. 

"A vida pública me testou mais de uma vez, como juiz da Lava Jato e como ministro da Justiça. Vocês conhecem a minha história e sabem que eu tomei decisões difíceis", alegou. O ex-juiz também se defendeu e negou que tenha tomado decisões para se beneficiar. "O Brasil não precisa de líderes com voz bonita, o Brasil precisa de líderes que ouçam a voz do povo brasileiro." 

Com discurso similar ao de Jair Bolsonaro (sem partido) na campanha de 2018, Moro reforçou que tem uma trajetória fora da política e relembrou feitos com juiz. Moro também comentou o convite para ser ministro de Bolsonaro e afirmou que "como todo brasileiro em 2018", tinha esperança em dias melhores. Para justificar o apoio ao atual presidente, Moro fez críticas aos governos do PT e acusou o partido de corrupção. Assim como Bolsonaro quando candidato, Moro também se posicionou contra a reeleição. 

"Como juiz da Lava Jato, me senti na obrigação de ajudar. Havia uma chance de dar certo e eu não poderia me omitir", justificou. "Meu objetivo era melhorar a vida das pessoas, por meio de um trabalho técnico, combatendo a corrupção." 

Moro ainda disse: "Ninguém combateu o crime organizado como o Ministério da Justiça na minha gestão. Até quem não gosta de mim admite isso". O ex-ministro garantiu que gostaria de ter continuado no governo e alegou que não entrou na gestão de Jair Bolsonaro por prestígio, mas porque acreditava na missão de combater a corrupção - o problema teria sido a falta de apoio de Bolsonaro. 

A cerimônia confirmou a expectativa da legenda em ter Moro como candidato à presidência da República em 2022. Álvaro Dias, líder do Podemos no Senado, clamou: "Sergio Moro presidente, o Brasil de volta. Viva o Brasil, viva Sergio Moro", disse o senador. 

"Estamos aqui para convocar à luta ao enfrentamento [da corrupção] o ex-juiz Sergio Moro, que queremos que seja presidente desse país", disse Álvaro Dias. Em seguida, os presentes aplaudiram a gritaram o nome de Moro. Segundo o senador, a candidatura de Moro à presidência tem como objetivo "institucionalizar a Operação Lava Jato", como forma de combater a corrupção.

Segundo Álvaro Dias, o Brasil vive um momento de "refundar a República" e, para isso, é preciso acabar com a corrupção. O discurso mostrou alinhamento com os preceitos do que foi a Operação Lava Jato, que teve Moro como principal símbolo.

O senador lembrou também que o partido foi fundado há cerca de 4 anos e afirmou que a filiação de Sergio Moro é "um marco para o país". Álvaro Dias fez críticas à polarização política e garantiu que "existe vida inteligente entre a extrema-esquerda e a extrema-direita". 

"Aqui estamos para dizer não à beligerância política, para dizer não ao ódio e para construir um futuro melhor para este país", afirmou o senador. "Estamos aqui para uma convocação, porque o que há no país hoje é a consequência de vícios históricos de uma República que mais parece um império." 

Quem também discursou no evento foi a presidente do partido, Renata Abreu. "A nossa história nunca foi feita por meio de atalhos, foram aqueles que não se conformaram que nos deram os direitos das mulheres, dos trabalhadores, dos negros, que acabaram com a escravidão", disse. Em seguida, a presidente da legenda afirmou que Moro teve coragem e, por isso, deixou uma profissão com estabilidade para lutar contra a corrupção. "Esse é o homem que hoje, aqui, assume uma grande missão. O Brasil precisa de um líder com coragem, com determinação, com responsabilidade."

Entre os presentes, estiveram no evento Joice Hasselmann (PSDB-SP), Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS), Kim Kataguiri (DEM-SP), Alessandro Vieira (Cidadania-SE) e outros parlamentares. 

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