Apó volta da quarentena, moradores de São Gonçalo estão preocupados com falta de leitos

Gustavo Goulart e Arthur Leal
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Foto: Guilherme Pinto
Foto: Guilherme Pinto

Confinado há meses em casa com o pai, que tem 90 anos, o funcionário público William dos Santos Azevedo, de 57, não consegue esconder a indignação com seus vizinhos de São Gonçalo, na Região Metropolitana, que teimam em fazer aglomerações e dispensar o uso obrigatório de máscaras em lugares públicos. Ele, que já pegou Covid-19 há dois meses, viu seu pesadelo se concretizar com o avanço do vírus no município, terceiro lugar em número de casos e mortes no estado, que na quinta decretou uma espécie de lockdown — com inúmeras restrições impostas à população —, ao ver a taxa de ocupação de leitos em hospitais alcançar 100%.

O movimento de quarta para quinta-feira foi para buscar leitos que evitassem um colapso. Ontem, com ajuste em unidades de forma a oferecer 20 novas vagas para pacientes infectados, foi possível reduzir o índice para 80%, mas a preocupação é grande. A pergunta é se será possível criar condições, de forma ágil, para enfrentar uma alta de casos da doença, que não se sabe como vai evoluir nos próximos dias.

— Fui contaminado há dois meses, mas não fui internado. Fiquei em casa isolado num quarto, e meu pai em outro. Minha cunhada fazia comida e nos entregava separadamente. Fiquei 21 dias nessa situação e posso dizer que psicologicamente é horrível. As pessoas não estão mais ligando para a pandemia. Saem sem máscaras como se estivesse tudo tranquilo. É um absurdo — reclamou William.

O pai dele, José Azevedo, diz que vem seguindo todos protocolos de prevenção à Covid-19 e está na torcida pela vacina, que espera que chegue logo:

— Se Deus quiser. Assim que eu tiver possibilidade, vou lá tomar a vacina.

Somente ontem, até o início da noite, foram registrados mais dez óbitos por Covid-19 em São Gonçalo e cem exames positivos. De acordo com a Secretaria estadual de Saúde do Rio, desde março, já foram 15.631 pessoas contaminadas e 822 vidas perdidas. O medo de uma nova onda da doença entre os moradores só cresce. Anteontem, a cidade decidiu voltar à bandeira laranja (risco moderado), após quase um mês e meio em situação de bandeira amarela (risco baixo). O motivo foi, principalmente, a pressão sobre a rede municipal de Saúde, que tem 83 vagas de UTI e enfermaria. Os leitos abertos ontem são nos hospitais Retaguarda do Gonçalense, no Centro, e no Franciscano Nossa Senhora das Graças, em Lagoinha. Ontem, 82 pacientes ocupavam 103 leitos.

Segundo a prefeitura, há previsão de serem abertos outros 60 leitos na próxima semana. O município diz que hoje atende crianças de Niterói, Itaboraí, Maricá, Tanguá, Silva Jardim e São Pedro da Aldeia com Covid-19, além de adultos de Maricá e Itaboraí.