Após áudio vazado, ministro do TCU diz que não incentivou atos golpistas

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes afirmou "repudiar peremptoriamente manifestações de natureza antidemocrática e golpistas" após ter um áudio vazado em que aponta um "movimento forte nas casernas".

Na gravação, divulgada na noite de domingo pelo jornal Folha de S.Paulo, o ministro afirma que ser "questão de horas, dias, no máximo, uma semana, duas, talvez menos do que isso", para um "desenlace bastante forte na nação, (de consequências) imprevisíveis, imprevisíveis". A declaração ocorre em meio a atos antidemocráticos de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro em frente a quartéis em contestação ao resultado das eleições, com pedidos para intervenção dos militares para impedir que o presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), tome posse em janeiro.

O ministro também diz, segundo o relato publicado pelo jornal, ter conversado "longamente" com auxiliares de Bolsonaro e que, apesar de o presidente estar se recuperando de um problema de saúde, logo estará recuperado para "enfrentar o que vai acontecer no país". Em outro momento, ele relembra ter sido relator no TCU da prestação de contas do governo de Dilma Rousseff, em 2015, a qual rejeitou, dando subsídio ao processo que levou ao impeachment da então presidente. No áudio ele cita ter tido a "coragem" de "tomar uma atitude" que, de acordo com o áudio, "desmontou de certa forma essas estruturas que eles (petistas) conseguiram remontar agora baseado na estrutura que tinha já ficado, que foi muito longa".

Em nota nesta segunda-feira, porém, Nardes lmenta a "interpretação" à sua fala.

"O Ministro Augusto Nardes lamenta profundamente a interpretação que foi dada sobre um áudio despretensioso gravado apressadamente e dirigido a um grupo de amigos. Para que não pairem dúvidas, esclarece que repudia peremptoriamente manifestações de natureza antidemocrática e golpistas, e reitera sua defesa da legalidade e das Instituições republicanas", afirma o ministro.