Após 3 meses de acidente no metrô de SP, tuneis são limpos e tatuzões passam por reparos

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Três meses depois do acidente em uma obra da linha 6-laranja do Metrô que provocou a abertura de uma cratera na marginal Tietê, a Prefeitura de São Paulo anunciou que os trabalhos de limpeza dos túneis danificados estão concluídos.

Com isso, a concessionária Linha Uni disse ter iniciado o conserto das tuneladoras.

No dia 1º de fevereiro, uma tubulação de esgoto se rompeu na altura da ponte da Freguesia do Ó durante a passagem do equipamento que perfura os túneis do metrô, popularmente chamado de tatuzão. O acidente foi no canteiro de obras sentido rodovia Ayrton Senna. Ninguém ficou ferido.

Segundo a empresa espanhola Acciona estão sendo reparadas ou trocadas peças eletroeletrônicas, hidráulicas e metálicas do tatuzão.

A Acciona é responsável pela PPP (Parceria Público Privada) para construção e gerenciamento da linha. O contrato está orçado em R$ 15 bilhões.

Em vista aérea é possível ver peças dos tatuzões, como a roda de corte do equipamento que atingiu a rede de esgoto, e túneis limpos. Não foi informado a quantidade de dejetos retirada no processo de limpeza.

A obra tem dois tatuzões que estão parados por causa do acidente. O que atingiu a rede de esgoto tinha previsão de perfurar de 13 a 14 metros por dia, sentido centro. O outro, que também precisou passar por reparos, tem previsão de percorrer entre 8 e 9 metros por dia em direção à zona norte.

Ao todo, o equipamento que se acidentou deverá escavar um trecho de dez quilômetros, possibilitando o acesso a uma dezena de estações. A previsão para a conclusão desta fase da obra era de 17 meses, quando a tuneladora começou a operar às vésperas do Natal do ano passado.

Para fazer a escavação, é usado um tatuzão com cabeça de corte de 10,6 metros de diâmetro, revestida com chromium carbide. Como um todo, o equipamento tem cerca de cem metros de comprimento.

O tatuzão não é apenas uma máquina de escavação. Dentro do equipamento com 109 metros de comprimento, 10,61 metros de diâmetro e que pesa 2.000 toneladas, há uma estrutura completa de apoio aos operários, com refeitório, unidade de enfermagem, esteira para retirada do material escavado, cabine de comando, além de outros equipamentos.

"As operações de escavação serão retomadas assim que todas as operações de montagem e reparo do equipamento forem concluídas", afirmou a Linha Uni, em nota, que não citou custos do conserto do equipamento.

Questionado se precisará fazer alterações no projeto por causa do acidente, o consórcio não respondeu.

O surgimento do buraco causou transtornos. As pistas local e central, no sentido rodovia Ayrton Senna, tiveram de interditadas para veículos e a prefeitura chegou a abrir um caminho alternativo em terrenos particulares. O trânsito foi totalmente liberado em 22 de março.

No dia do acidente, o secretário dos Transportes Metropolitanos, Paulo Galli, apontou o rompimento de uma galeria de esgoto como o motivo do alagamento e da abertura da cratera.

Galli disse também que a tuneladora passava três metros abaixo dessa galeria. Portanto, segundo ele, não houve um choque entre o equipamento e a tubulação de esgoto.

O rompimento da tubulação de esgoto ocorreu quando o tatuzão passava cerca de três metros abaixo. O esgoto inundou o poço de ventilação da obra e fez ceder parte do asfalto da pista local da marginal, entre as pontes do Piqueri e da Freguesia do Ó.

A cratera foi preenchida com 4.000 m³ de concreto, o equivalente a 650 caminhões betoneira. Além disso, foram despejados 12 mil m³ de pedras no poço de ventilação da linha 6-laranja, o que corresponde a 1.200 caminhões basculantes.

A secretaria afirmou que segue acompanhando o andamento dos trabalhos do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) para apurar os fatos e possíveis causas do acidente. Laudos ainda não foram divulgados.

Conforme o projeto, o túnel sob o rio Tietê tem 250 metros de extensão entre os poços de verificação de cada margem e passa cerca de 14 metros abaixo do leito.

O terreno onde foi escavado é formado por areia e argila. Quando em operação, haverá uma espécie de estacionamento de trens no local, em um túnel paralelo, com capacidade para duas composições.

Com 15 quilômetros de extensão, a linha terá 15 estações e irá ligar a Brasilândia, na zona norte, à estação São Joaquim, na região central. A expectativa é que sejam transportadas cerca de 630 mil pessoas por dia. Por passar perto de grandes instituições de ensino superior na capital, a linha ficou conhecida como "linha universitária".

As obras foram retomadas em outubro de 2020 após quatro anos paradas. A entrega da linha foi prometida inicialmente para 2013.

Segundo o governo Rodrigo Garcia (PSDB), como as obras das estações, que ocorrem simultaneamente, não pararam, continua a previsão de que a linha será entregue em 2025, mesmo sem a estimativa de quando os tatuzões voltarão a perfurar a terra.

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