Após 350 anos de tradição, coral de meninos na Inglaterra passa a admitir garotas

Às 8h de uma quinta-feira recente, os meninos do coral do Saint John's College, em Cambridge, na Inglaterra, abafavam bocejos enquanto começavam o primeiro ensaio do dia com alguns exercícios vocais. Logo, a sala estava cheia de sons de "ôôô" e "zááá".

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Com o coral já aquecido, o diretor musical Andrew Nethsingha chamou menino a menino para cantar algumas linhas de um solo de salmo. Então, Nethsingha fez algo que nenhum de seus antecessores havia realizado nos 350 anos de história do coral: ele chamou uma garota para cantar. Amelia Crichton-Stuart, de 10 anos, rapidamente enfiou os óculos no nariz e entoou, em som alto e puro, duas linhas sobre como a "mão direita de Deus está cheia de justiça".

"Muito bom", Nethsingha elogiou, com um sorriso. Depois que um dos outros coristas apontou que Amelia havia cantado uma palavra incorretamente, sem alongá-la do jeito devido, Nethsingha respondeu que preferia a maneira como ela havia apresentado. "Vamos mudar o coral para fazer a sua versão!", ele exclamou para Amelia, que sorriu de alegria.

Durante séculos, coros britânicos têm sido espaços predominantemente masculinos, com as catedrais e capelas do país repletas de vozes angelicais de meninos de coral, que fazem performances diárias ao lado de cantores masculinos.

Os coros tornaram-se uma parte emblemática da vida musical britânica, com meninos geralmente vivendo e estudando gratuitamente em escolas vinculadas a esses corais (as crianças do coro de Saint John, por exemplo, frequentam uma escola fundada no século XVII, voltada justamente para a educação dos coristas).

Ineditismo

Na década de 1990, uma série de catedrais na Grã-Bretanha também criaram coros femininos separados para realizar performances. A recente iniciativa do coral de Saint John's, no entanto, representa uma inovação. Alguns celebraram o fato como um passo muito atrasado em direção à igualdade, e outros opinaram que isso pode ser uma espécie de anúncio do fim dos coros apenas para meninos.

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Pouco depois de Nethsingha anunciar a mudança, em outubro, três outros corais disseram que também misturariam meninas e meninos, incluindo a capela de Saint George e o castelo de Windsor (um lugar de tal tradição que já recebeu vários casamentos reais, incluindo o do príncipe Harry e Meghan Markle, em 2018).

Nethsingha disse, numa entrevista, que sabia que o movimento era ousado, mas também se sentiu "um pouco atrasado para a festa", já que alguns corais menos proeminentes, incluindo o Coro da Catedral de Saint Mary, em Edimburgo, na Escócia, já haviam misturado seus coristas na década de 1970. Nethsingha recebeu algumas reclamações sobre a decisão, ele acrescentou, principalmente na página do Facebook da faculdade.

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