Após 4 audiências, veja do que testemunhas já acusaram Trump

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Ao final de quatro audiências abertas da comissão da Câmara dos Deputados dos EUA que investiga a invasão do Capitólio, em janeiro de 2021, e que tenta estabelecer qual foi a ligação de Donald Trump com o ataque, o ex-presidente se vê acusado de incitar seus apoiadores a realizarem atos de violência e de tentar manipular o processo eleitoral. Veja alguns dos destaques e principais acusações feitas por testemunhas até o momento — a próxima sessão está prevista para esta quinta-feira.

Mesmo dentro da campanha de Trump, nem todos estavam de acordo com a falsa teoria de que a eleição de 2020 foi “roubada” do republicano — em entrevista gravada, o chefe da campanha de reeleição, Bill Stepien, disse que fazia parte do “time normal”, se referindo aos que não concordavam com as ideias do “time Trump”.

O último secretário de Justiça de Trump, William Barr, usou termos mais duros, como “idiota”, “estúpida”, além de um palavrão impublicável, para descrever a narrativa de fraude na eleição — em vídeo exibido no dia 10, na primeira audiência pública, a filha de Trump, Ivanka, disse ter sido convencida por Barr de que a eleição não foi roubada. A imagem que ficou para alguns dos depoentes foi a de que o ex-presidente estava disposto a qualquer coisa para permanecer no cargo.

— Se ele realmente acredita naquelas coisas, ele deve estar vivendo fora da realidade — disse William Barr em seu depoimento.

A ênfase dada pela comissão às alegações de fraude tem um motivo: para os deputados, a falsa narrativa do ex-presidente sobre o resultado das urnas serviu como combustível para incendiar seus apoiadores, ainda que os tribunais tenham derrubado todas as ações em que Trump alegava irregularidades na eleição. Esse clima contribuiu para a invasão do dia 6 de janeiro, segundo o inquérito. Com a invasão, os apoiadores do então presidente procuravam impedir que a vitória de Joe Biden fosse certificada pelas duas Casas do Congresso, como prevê a lei americana.

— Os números não mentem. Tivemos muitas alegações [de fraude] e investigamos cada uma delas — afirmou, na quarta-feira, Brad Raffensperger, secretário de Estado republicano da Geórgia, que foi pressionado por Trump a “encontrar” votos para que o então presidente fosse vitorioso no estado.

Também foram feitas denúncias de que o ex-presidente tentou mudar o resultado do Colégio Eleitoral, uma manobra jamais realizada na História dos EUA e que encontrou resistência mesmo entre seus colegas de partido. Foi o caso de Rusty Bowers, presidente da Assembleia Legislativa do Arizona, que disse a Trump que não iria agir contra a lei para favorecê-lo.

Na época, um advogado de Trump, John Eastman, pediu a Bowers que mudasse a lista de pessoas que representavam o estado no Colégio eleitoral do estado para que a vitória fosse dada a Trump, ao invés de Biden. A resposta foi direta: “Não, senhor”. Em depoimento, a presidente do Comitê Nacional Republicano confirmou que o ex-presidente a procurou em busca de apoio para tal estratégia.

Segundo os depoimentos, Trump e seus aliados tentaram intimidar todos aqueles que não quiseram ajudar a levar adiante a fraude. Com Rusty Bowers, a pressão veio na forma de protestos realizados diante da sua casa, com acusações de que seria “pedófilo” e “corrupto”. Raffensperger, por sua vez, recebeu 18 telefonemas da Casa Branca pedindo uma conversa com Trump após a eleição — a ligação finalmente aconteceu, no começo de janeiro, e o secretário de Estado se recusou a ajudar.

Mesmo pessoas sem cargos públicos foram atacadas: duas funcionárias de seções eleitorais na Geórgia, mãe e filha, apareceram em um vídeo publicado pelo advogado de Trump, Rudolph Giuliani, e passaram a sofrer ameaças de agressão e morte, o que também aconteceu com um prestador de serviço do governo no mesmo estado.

Para a comissão, a violência foi uma forma de tentar silenciar aqueles que estavam contra Trump, e ele tinha meios para incitar seus apoiadores, especialmente através de suas redes sociais.

Já sobre o dia do ataque, os depoimentos mostraram o papel do vice-presidente, Mike Pence, na proteção do processo eleitoral: a sessão conjunta da Câmara e do Senado que certificaria os resultados de novembro era presidida por ele, e Trump tentou incansavelmente fazer com que ele não aceitasse a vitória de Biden.

Nem mesmo os conselhos do vice e de advogados afirmando que aquela manobra seria inconstitucional serviram para mudar sua opinião — para a comissão investigadora, isso indica uma intenção deliberada de corromper o processo, e pode abrir caminho para um futuro processo criminal.

Ao não concordar com a manobra, Pence passou a ser atacado pelo presidente e seus apoiadores: no dia 6 de janeiro, muitos dos que invadiram o Capitólio traziam cartazes pedindo que ele fosse enforcado. Segundo uma integrante da comissão, a republicana Liz Cheney, Trump teria dito que o então vice "merecia ser enforcado", mas sem apresentar provas dessa declaração.

Levado às pressas para um local seguro, Pence pediu ao chefe do Estado-Maior Conjunto, Mark Milley, que os militares entrassem em ação imediatamente, uma opinião diferente da Casa Branca. Segundo o depoimento de Milley à comissão, o chefe de Gabinete de Trump, Mark Meadows, pediu que fosse estabelecida “uma narrativa de que o presidente ainda está no poder, e que as coisas estão estáveis”. O militar respondeu que tal pedido era “político” e que “não fazia narrativas políticas”.

Pence também foi o responsável por alertar todos os órgãos de governo sobre o ataque e pedir as medidas necessárias, apontou a comissão, enquanto Trump gravava vídeos dizendo “amar” os invasores e manifestantes.

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