Após 40 mortes, ONU pede que Peru respeite direitos humanos ao conter protestos

O sistema das Nações Unidas que opera no Peru exortou, nesta terça-feira (10), o governo de Dina Boluarte a respeitar os direitos humanos e evitar o uso desproporcional da força na repressão aos protestos, que já deixaram 40 mortos em um mês em regiões andinas.

"Pedimos às autoridades e forças de segurança que tomem medidas urgentes para garantir o respeito aos direitos humanos, incluindo o direito à manifestação pacífica", disseram as agências, fundos e programas da ONU no Peru em um comunicado conjunto divulgado pelo Twitter.

A ONU também pediu ao governo "que observe os padrões e normas aplicáveis ao uso de armas contra os manifestantes; e facilite uma solução pacífica e negociada para a crise".

O apelo dirige-se também às diversas organizações por trás dos protestos, às quais solicitaram que "se abstenham de atos de violência e exerçam o direito de protestar pacificamente, respeitando a vida e a propriedade pública e privada”.

"Estamos muito preocupados com o aumento da violência no Peru, que na segunda-feira, 9 de janeiro, viveu um dos dias mais mortíferos desde o início dos distúrbios no início de dezembro", disse em Genebra a porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos, Marta Hurtado.

Os protestos registraram 18 mortes na segunda-feira após confrontos e saques na região andina de Puno, atual epicentro da crise institucional e social que o país vive há um mês.

O embaixador do Reino Unido no Peru, Gavin Cook, reagiu no Twitter, onde afirmou que "os relatos de violência em Juliaca são extremamente preocupantes".

"É essencial que as forças de segurança respeitem os direitos humanos e atuem de forma legal e proporcional. Investigações e medidas para prevenir mais violência são urgentes", escreveu o diplomata.

A crise do Peru eclodiu em 7 de dezembro, quando o presidente esquerdista Pedro Castillo foi deposto pelo Congresso, dominado pela direita, após uma tentativa fracassada de fechar o Parlamento e governar por decreto.

Castillo, que estava sendo investigado por corrupção, está cumprindo 18 meses de prisão preventiva, acusado do crime de rebelião por sua tentativa de minar o sistema democrático.

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