Após 50 anos, principal emissora Hong Kong não transmitirá o Oscar sob especulação de ordem do departamento de propaganda

O Globo e agências internacionais
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A principal emissora de TV de Hong Kong, na China, decidiu não exibir a premiação do Oscar após 50 anos. Segundo a CNN, a Television Broadcasts Limited (TVB) alegou que a decisão é "puramente comercial". A escolha, porém, ocorre no momento em que dois indicados tem sido alvo de críticas no país: o documentário "Do Not Split", que retrata protestos pró-democracia em Hong Kong, e Chloé Zhao, que escreveu e dirigiu o filme "Nomadland", um dos favoritos ao prêmio.

No início de março, fontes afirmaram à agência "Bloomberg" que o departamento de propaganda da China determinou que nenhum meio de de comunicação local poderia transmitir a cerimônia ao vivo e todos deveriam minimizar a cobertura do evento. A CNN entrou em contato com quatro emissoras de Hong Kong, pedindo que comentassem o caso. Apenas a Open TV respondeu, afirmando que não tem os direitos de transmissão da premiação.

Zhao chegou a ser retratada pela mídia estatal chinesa como um "orgulho da China", mas o tom mudou completamente após o compartilhamento nas redes sociais de uma entrevista dela à revista americana "Filmmaker" em 2013. Na ocasião, a diretora afirmou que "há mentiras por toda parte" na China. De acordo com o jornal local Global Times, propagandas sobre "Nomadland" e até a hashtag do filme foram removidos das plataformas de mídia social na China.

Já o documentário "Do Not Split" teria sido barrado por mostrar ação do governo contra manifestantes em Hong Kong. Houve uma onda da protestos em 2019 que evoluiu para um movimento que exigia a instalação da democracia na China. Em contrapartida, o governo aumentou o controle na região e aprovou uma medida de segurança nacional que proibe a sedição, a secessão e a subversão contra Pequim. Na terça-feira (23) foi promulgada uma lei que reduz o número de cadeiras eleitas diretamente no parlamento local.