Após 72 horas dos ataques de Bolsonaro ao TSE, Lira permanece em silêncio

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Após 72 horas do ataque de Jair Bolsonaro às urnas eletrônicas e ao processo eleitoral, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), permanece em silêncio. Aliado de Bolsonaro, Lira é a única autoridade no topo da hierarquia dos poderes que ainda não se manifestou sobre o assunto.

Desde que Bolsonaro lançou suspeitas infundadas sobre as eleições, em reunião com embaixadores, condenaram a postura o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e os presidentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin e Luiz Fux.

Nesta quinta-feira, o procurador-geral da República, Augusto Aras, divulgou um vídeo em seu canal no Youtube em que condena alegações de fraude. Em imagens gravadas há dez dias, ele trata da lisura da Justiça Eleitoral.

– Nós não aqui aceitamos alegação de fraude porque nós temos visto o sucesso da urna eletrônica ao longo dos anos, especialmente no que toca à lisura dos pleitos – diz Aras.

Desde o fim de semana, o presidente da Câmara se concentra em agenda de cunho eleitoral em Alagoas. Com o Congresso em recesso, reservou 15 dias para tratar de articulações. Ele tenta costurar acordos com prefeitos e vereadores para alavancar a candidatura de Rodrigo Cunha (União) ao governo do estado, além de comparecer a eventos públicos para garantir sua reeleição.

“Importante reunião com o prefeito de Canapi, Vinicius Lima, seu pai, José Hermes, vice-prefeito, Hermerson Herminho, todos os vereadores e líderes locais. Houve declaração de apoio à candidatura do Rodrigo Cunha, sua vice Jó Pereira e ao candidato a senador Davi Davino”, escreveu Lira em sua conta do Instagram nesta quinta-feira.

Até terça-feira, líderes da oposição tentaram convencer o presidente da Câmara a se manifestar publicamente. Lira recebeu ligações de representantes de partidos de esquerda e centro para falar sobre o assunto.

Segundo o relato de um dos interlocutores, o deputado avisou que estava “cansado” da postura de Bolsonaro e que sua posição “já é conhecida”, em defesa da democracia, mas que não iria se pronunciar a respeito do tema.

Na semana passada, durante um encontro com aliados, Lira falou a respeito do sistema eleitoral brasileiro. Na ocasião, ele disse que a Justiça Eleitoral deveria dar mais transparência às urnas e estar mais aberta a eventuais sugestões de melhorias do sistema.

Na mesma conversa, entretanto, Lira frisou que Bolsonaro deveria cessar os reiterados ataques ao sistema de votação e a magistrados de tribunais superiores. Além disso, na ocasião, o presidente da Câmara previu que a reunião de Bolsonaro com os representantes de outros países seria “uma loucura”, uma tentativa de “impor uma narrativa”.

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