Após acusar empresário de forjar provas, defesa de Gabriel Monteiro desiste de ouvir testemunho

A defesa de Gabriel Monteiro desistiu de ouvir o testemunho de Rafael Sorrilha, empresário acusado pelo vereador de tentar forjar provas para incriminá-lo. O depoimento no processo que pode terminar na cassação de Monteiro estava agendado para ocorrer na última semana, mas havia sido adiado para esta terça-feira.

Após a divulgação das denúncias, Gabriel Monteiro tem usado as redes sociais para afirmar que é vítima de um complô de um suposto esquema envolvendo reboques na cidade do Rio. Sorrilha nega as acusações e diz que tinha mantinha uma amizade com o vereador antes de Monteiro acusá-lo de ter envolvimento com a suposta organização.

Procurada, a defesa de Gabriel Monteiro não retornou os contatos da reportagem sobre o que levou o vereador a desistir do depoimento de Rafael Sorrilha.

Os advogados do vereador pediram ao Conselho de Ética que no lugar do empresário, os vereadores ouçam o depoimento de Luis Armond, titular da 42ª DP (Recreio). O delegado é o responsável pela investigação sobre o vazamento de um vídeo íntimo do vereador com uma menor de 15 anos.

— A defesa peticionou o pedido de substituição da testemunha. Pediram para trocar o empresário pelo delegado que investiga o caso. Vamos manter a reunião do conselho para deliberar — afirma o vereador Luiz Ramos Filho (PMN), que integra o conselho.

Após ouvir as quatros testemunhas de acusação, o Conselho de Ética começou na última sexta-feira os depoimentos de defesa. As oitavas fazem parte do processo ético-disciplinar a que ele responde na Casa por quebra de decoro parlamentar que pode culminar na sua cassação.

Foram ouvidas duas das oito testemunhas de defesa: Fábio Félix Ferreira, ex-assessor do vereador, e Natachi Mendonça da Silva, mãe da criança que é orientada pelo parlamentar a dizer o que ele queria gravar para um vídeo, que foi publicado nos canais do político nas redes sociais. Sem falar com a imprensa, Natachi chegou e saiu da Câmara usando um casaco vermelho para tampar seu rosto. Já Fábio Félix, o primeiro a ser ouvido, deixou a sala onde foi tomado seu depoimento. Foram quase duas horas junto aos vereadores.

Nos bastidores da Câmara foram intensificados movimentos para tentar livrar Monteiro de uma possível cassação. O presidente do Comitê de Ética, no entanto, negou que vereadores articulem salvar Monteiro antes mesmo do relatório final.

Os integrantes do Conselho de Ética da Câmara do Rio, envolvidos no processo que poderá culminar na cassação do mandato do vereador Gabriel Monteiro (PL), vão pedir uma varredura de escutas em seus gabinetes na próxima semana. A informação é do relator do processo, o vereador Chico Alencar (Psol), e da também integrante do Conselho, Rosa Fernandes (PSC). Os parlamentares temem estarem sendo espionados por Monteiro, que é acusado de abuso sexual, estupro e assédio sexual. Nesta sexta-feira os vereadores formalizaram os pedidos de reforço na segurança com carros blindados e uma varredura nos gabinetes e celulares pessoais. As suspeitas aumentaram com o depoimento do ex-assessor Vinicius Hayden, morto em um acidente de carro na última semana, que relatou e detalhou ter recebido ordens de investigar outros parlamentares.

A suspeita dos vereadores surgiu após o depoimento dos ex-assessores de Monteiro, Heitor Nazaré Neto e Vinícius Hayden Witeze, que morreu em um acidente de trânsito no último sábado (28). Nazaré e Hayden informaram, no dia 25 de maio, que o vereador mandava os assessores investigarem a vida dos colegas parlamentares.

A defesa do vereador Gabriel Monteiro negou que exista alguma ordem de escuta ilegal:

— Todas as testemunhas de acusação não apresentaram provas. O Gabriel Monteiro jamais determinou que um assessor investigasse qualquer vereador desta Casa. O assessor que infelizmente veio à óbito não comprovou que houve essa ordem - afirmou Sandro de Figueiredo

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