Após adiar depoimento no CPI para ficar em quarentena, Pazuello recebe visita de Onyx , diz jornal

BRASÍLIA — Dois dias depois de comunicar a CPI da Covid que não poderia comparecer ao Senado Federal por ter entrado em contato com dois servidores infectados com coronavírus, o ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, recebeu a visita do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Onyx Lorenzoni.

A informaçãoi foi revelada pelo jornal "O Estado de S. Paulo". Onyx foi visto entrando e saindo do Hotel de Trânsito de Oficiais, onde Pazuello está hospedado, no final da manhã desta quinta-feira. A agenda do ministro, entretanto, previa uma reunião com o secretário-executivo da pasta, Vicente Santini.

Na última terça-feira, Pazuello comunicou o comandante do Exército de que não poderia comparecer à CPI após descobrir que esteve em contato com duas pessoas que testaram positivo para a Covid-19. Entretanto, segundo o jornal, Pazuello foi visto circulando pelas áreas comuns do hotel.

O GLOBO questionou a Secretaria-Geral, o Ministério da Defesa e o Exército sobre o episódio, mas não recebeu retorno de nenhum dos órgãos.

A revelação do encontro repercutiu no Senado Federal. Vice-presidente da CPI, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) disse que quer saber por que Pazuello continuou recebendo visitas em casa após dizer que não poderia comparecer à CPI por suspeita de Covid-19.

Por enquanto, o senador afirma que a oitiva de Pazuello segue adiada para 19 de maio.

— Nós podemos requisitar o exame do senhor Eduardo Pazuello. É uma providência a ser tomada por essa CPI, a CPI tem que debater isso — disse Randolfe, que completou: — É um episódio lamentável e triste. É muito triste um ex-ministro da Saúde, general do Exército se prestar a uma situação dessa. No mínimo é infração a ordem sanitária. No máximo é obstrução a investigação.

Antes de adiar seu depoimento, Pazuello passou dias no Palácio do Planalto com auxiliares se preparando para seu interrogatório com os senadores. Sua ida ao Senado é considerada um dos pontos-chave da CPI, uma vez que o ex-ministro é acusado de omissão enquanto comandava o Ministério da Saúde.

Durante as sessões de treinamento, Pazuello demonstrou nervosismo, segundo assessores do Palácio do Planalto que acompanharam a preparação do ex-ministro.

O temperamento explosivo do general é uma das principais preocupações de integrantes do governo. Para evitar um comportamento hostil no Senado, Pazuello assistiu a uma série de vídeos de momentos em que demonstrou irritação em público durante entrevistas coletivas e em audiências no Congresso. A preparação do ex-ministro da Saúde durou cerca de seis horas, das 14h às 20h, e envolveu também uma simulação de confronto com parlamentares, com perguntas espinhosas.