Após alta da carne, ministra diz esperar que sobretaxa argentina não aumente preço do pão

Leandro Prazeres

BRASÍLIA - A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, disse nesta terça-feira estar preocupada com um possível aumento no preço do pão no Brasil. A preocupação é resultado da sobretaxa às exportações agrícolas argentinas impostas pelo presidente do país vizinho, Alberto Fernández. Estima-se que mais de 80% de todo o trigo importado pelo Brasil venha da Argentina.

- Estou preocupada (... ) mas acho que a Argentina não pode perder o mercado do Brasil de seis milhões de toneladas (de trigo) e a gente espera que o pão não suba de preço - disse a ministra durante evento realizado pela Frente Parlamentar da Agropecuária.

No último sábado, Alberto Fernández decretou um aumento nas taxas para exportações de produtos agrícolas do país. A medida teria o objetivo de equilibrar os preços dos alimentos no mercado interno argentino e aumentar a arrecadação de tributos do país. O problema para o Brasil é que a Argentina é maior exportador de trigo para o Brasil. Estima-se que o país tenha importado, entre 2017 e 2018, aproximadamente seis milhões de toneladas do produto.

Tereza Cristina disse que, se o preço do trigo aumentar demais, o Brasil pode importar trigo de outros países.

- Se esse valor subir muito, temos outras alternativas. – afirmou a ministra.

Em meio à alta do preço da carne, ministra defende livre mercado

Questionada sobre a alta no preço da carne, Tereza Cristina afirmou que o governo está monitorando a situação e que, em alguns locais, o preço da arroba do boi gordo já teve quedas. Apesar disso, ela voltou a defender livre mercado.

- Para o produtor, eu vi hoje, no acompanhamento que o ministério faz diariamente, que em muitos estados, a arroba deu uma recuada. Mas é o que já disse: é mercado, gente. Oferta e procura – afirmou a ministra.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o preço da carne bovina aumentou, em média, 8% no país. Parte desse aumento é resultado do aumento da demanda vinda do mercado chinês.