Após ameaça de despejo, prefeitura vai tombar o prédio e a atividade do Estação Net Rio, como sala de cinema

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Após mobilização contra o despejo do Estação Net Rio, em Botafogo, que acumula dívidas de quase de R$ 2 milhões em alugueis atrasados para o dono do imóvel, o Grupo Severiano Ribeiro (GSR), a prefeitura anunciou que irá fazer o tombamento do imóvel e da atividade do local para uso exclusivo como sala de exibição.

Segundo o secretário de Governo e Integridade Pública do Rio, Marcelo Calero, o tombamento será publicado nesta quarta:

— O prefeito Eduardo Paes quer proteger os negócios que tenham a ver com a identidade do Rio. E o cinema se enquadra nessa categoria. Além disso, no caso do Estação Net Rio, trata-se de um importante exemplo de arquitetura art déco para a cidade.

A prefeitura vai publicar dois decretos, de número 49814 e 49815. O preimeiro inscreve os três complexos de salas do Estação (Botafogo, Rio e Ipanema) no Cadastro dos Negócios Tradicionais e Notáveis, que preservaria a atividade dos imóveis como cinemas. O outro tomba provisoriamente o imóvel do Estação Net Rio (Antigo Cine Star) considerando "o valor arquitetônico e cultural dos edifícios, representantes da arquitetura de linguagem Art-Déco".

Antes da definição da prefeitura, o vereador Lindbergh Farias já havia protocolado o projeto de lei nº 864/2021, para tombamento por nteresse histórico e cultural "o conjunto de salas de cinema, espaços afins (livraria e cafeteria)" e de suas funções. De acordo com o vereador, o PL iria à votação na próxima quarta-feira.

— O Estação faz parte da vida da cidade. A ideia não é intervir na relação entre as partes, mas sim interceder a favor do cinema de rua, que é fundamental não só culturalmente, mas também para a qualidade de vida do entorno.

Um dos templos da cinefilia da cidade e em operação há 25 anos pelo Estação, o Estação Net Rio foi intimado pela Justiça após alegação do Grupo Severiano Ribeiro (GSR) de que os aluguéis deixaram de ser pagos a partir de março de 2020. A justificativa de que a pandemia inviabilizou o negócio, durante a quarentena, não foi aceita pela juíza Elizabete Franco Longobardi, titular da 27ª Vara Cível, que assinou a decisão em 26 de outubro.

Procurado por meio de sua assessoria de comunicação, o Grupo Severiano Ribeiro não conseguiu se manifestar até a publicação desta reportagem.

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