Após ameaças, ativista mexicana morre ao ser queimada por três homens e uma mulher

Uma defensora dos direitos das pessoas com deficiência morreu três dias depois que um grupo ateou fogo nela no estado de Jalisco, no oeste do México, informou a promotoria regional nesta quarta-feira.

Luz Raquel Padilla, de 35 anos, morreu na terça-feira devido à "gravidade dos ferimentos" causados ​​por três homens e uma mulher que jogaram álcool nela e a incendiaram, no último sábado, em um jardim público na cidade de Zapopan, disse em entrevista coletiva o promotor de Jalisco, Luis Joaquín Méndez, citando testemunhas.

A ONU Mulheres México condenou nesta quarta-feira no Twitter o "assassinato da ativista", a quem a promotoria havia concedido medidas de proteção após recebimento de ameaças de um vizinho. Há alguns anos, Padilla também havia sido vítima de agressão doméstica.

O caso está a ser investigado como possível feminicídio, disse a entidade judiciária, indicando que o vizinho que a havia ameaçado foi chamado a depor. Segundo a imprensa local, o promotor disse que o vizinho da vítima identificado como Sergio "N" compareceu perante as autoridades, sendo denunciado por ameaças, crimes contra a dignidade e injúrias.

Mãe de uma criança com espectro autista, Padilla fazia parte do Eu Cuido do México, uma organização de famílias com experiência em cuidar de pessoas com deficiência.

Em suas redes sociais, a vítima havia denunciado alguns comportamentos do vizinho, como ouvir música alta, o que afetou a saúde do filho.

Em 17 de maio, a ativista postou no Twitter fotos de grafites ameaçadores nas paredes de sua casa. "Você vai morrer Lus (sic)" e "Eu vou te queimar viva", diziam as mensagens.

"Por quanto tempo vou ter que viver com medo de que algo possa acontecer comigo e minha família, e meu agressor ainda está vagando pela cidade com o perigo de continuar prejudicando!", postou ela naquela ocasião.

Com queimaduras em mais de 90% do corpo, Padilla foi levada para um hospital em Guadalajara, onde morreu na terça-feira.

O filho de Padilla ficou sob a custódia da avó, a quem o governo de Jalisco prometeu apoiar com pensão alimentícia, disse o promotor.

Entre janeiro e junho, a Secretaria Executiva do Sistema Nacional de Segurança Pública registrou 493 feminicídios em todo o país, 17 dos quais ocorreram em Jalisco.

No México, uma média de 10 mulheres são assassinadas diariamente, segundo dados oficiais, a maioria delas pertencentes a setores pobres. Muitos desses casos correspondem à violência de gênero.

Além disso, este ano pelo menos 43 pessoas foram linchadas e 173 feridas em ataques de multidões, de acordo com um relatório da Comissão Nacional de Direitos Humanos.

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