Após anúncio de Bolsonaro, Queiroga diz que para dispensar máscara é preciso vacinar população

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*ARQUIVO* BRASILIA, DF,  BRASIL,  11-05-2021 - Marcelo Queiroga (Saúde). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*ARQUIVO* BRASILIA, DF, BRASIL, 11-05-2021 - Marcelo Queiroga (Saúde). (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Após o presidente Jair Bolsonaro anunciar ter pedido ao Ministério da Saúde um parecer para desobrigar o uso de máscara por quem já foi vacinado contra a Covid ou quem já se infectou com o coronavírus, o titular da pasta, Marcelo Queiroga, disse no início da noite desta quinta (10) que o país precisava avançar na vacinação para a medida.

"Queremos que [o não uso da máscara] seja o mais rápido possível, mas para isso precisamos vacinar a população brasileira e avançar", disse ele em entrevista na saída do ministério.

Pouco depois, porém, o Ministério da Saúde divulgou um vídeo em que Queiroga confirma que fará um estudo sobre o tema e atribui o pedido do presidente a medidas adotadas em outros países.

Segundo o ministro, Bolsonaro "está muito satisfeito com o ritmo da campanha de vacinação no Brasil".

"O presidente acompanha o cenário internacional e vê que em outros países onde a campanha de vacinação já avançou as pessoas já estão flexibilizando o uso das máscaras, e me pediu que fizesse um estudo para avaliar a situação aqui no Brasil', disse.

"Então vamos atender a essa demanda do presidente Bolsonaro, que está sempre preocupado em relação a pesquisas, tanto que estamos fazendo pesquisas na área de vacinas", afirmou.

Especialistas, porém, alertam que o ritmo de vacinação no Brasil ainda é baixo frente a outros países e que o uso de máscaras é necessário mesmo para quem já foi vacinado e para quem já teve a Covid, devido ao risco de reinfecção.

Até agora, só 11% da população brasileira recebeu duas doses da vacina contra a Covid-19, segundo dados do consórcio de imprensa.

Perguntado em entrevista na saída do ministério sobre se houve pressão de Bolsonaro ao pedir um parecer sobre o tema, Queiroga negou.

"O presidente não me pressiona, não. Sou o ministro dele e trabalhamos em absoluta sintonia. E assim funcionam as democracias do regime presidencialista. E o presidente sempre nos aconselha de maneira muito própria. E levo a ele os subsídios para que tenhamos as melhores decisões em relação à saúde pública", disse.

O anúncio de Bolsonaro foi feito durante um evento no Planalto de anúncio de medidas para o setor de turismo. Queiroga não estava na solendidade, mas estava no palácio.

O presidente disse ainda que, pelo protocolo adotado no Brasil, quem está infectado deve ficar em casa. "Se bem que para nós, o nosso protocolo para quem está infectado, este, sim, fica em casa. Não aquele fica em casa todo mundo. A quarentena é para quem está infectado, não é para todo mundo, porque isso destrói empregos, mata de outra forma o cidadão", afirmou.

Infectologistas reagiram com choque ao anúncio de Bolsonaro. Apesar da proposta do presidente, uma pessoa pode transmitir o vírus mesmo que esteja vacinada e sem apresentar sintomas. Como ainda há pouquíssimos vacinados no Brasil e alta circulação do coronavírus, o risco de alguém que tomou a vacina contrai-lo e transmiti-lo, mesmo sem ficar doente, para quem ainda não esteja protegido é bem grande.

Desde que assumiu o cargo, Queiroga tem se posicionado a favor do uso de máscaras. "A pátria de chuteiras agora é a pátria de máscaras", disse no fim de março.

Ao longo dos últimos meses, o ministro também tem dito que o uso de máscaras e distanciamento são importantes como medidas de prevenção e para a retomada da economia.

Questionado em depoimento na CPI da Covid nesta semana sobre se orientava o presidente a usar a proteção, o ministro respondeu: "Evidentemente que sim".

No entanto, aos senadores ele evitou comentar sobre a postura de Bolsonaro, afirmando que se trata de ato individual. "Não vou fazer juízo de valor a respeito da conduta do presidente da República", disse, ao ser questionado sobre a insistência do presidente em promover aglomerações e ficar sem máscara.

"O presidente da República não conversou comigo acerca da atitude dele. Eu sou ministro da Saúde. Eu não sou um censor do presidente da República”, afirmou.