Após anúncio do Ministério da Saúde, prefeitura de Maricá já aplica terceira dose para adultos em geral

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RIO — A prefeitura de Maricá, na região Metropolitana do Rio, anunciou nesta quarta-feira que já aplica a terceira dose contra Covid-19 no público adulto não idoso. O município iniciou o reforço entre o público geral após o Ministério da Saúde dizer que ampliará a dose de reforço da vacina contra a Covid-19 aos adultos de 18 a 59 anos. Antes, a medida era autorizada para idosos, imunossuprimidos e profissionais de saúde. O intervalo, que antes era de seis meses para os três grupos, cairá para cinco para todo o público-alvo.

A prefeitura de Maricá liberou o reforço para o público em geral antes mesmo de completar a imunização em idosos. Segundo a prefeitura, atualmente o calendário contempla idosos a partir de 65 anos. Mas com a mudança do intervalo do reforço nos próximos dias deve atingir todos os maiores de 60 anos.

O município, ao contrário da capital, informou ter doses o suficiente para começar a aplicação da terceira dose em não idosos no novo intervalo definido pelo Ministério da Saúde de cinco meses. Até o final do ano, a prefeitura prevê reforçar a imunização contra a Covid-19 em 20 mil pessoas.

"Maricá estava seguindo cronograma com o reforço seis meses após a aplicação da segunda dose. Até este momento, de acordo com o calendário, a faixa etária que está completando esse intervalo é a de 65 anos ou mais. Com a nova orientação (cinco meses), o município entra na faixa de 60 anos ou mais nos próximos dias. O abastecimento de doses tem sido feito de forma regular e, portanto, há doses suficientes para aplicação neste momento.", informou a prefeitura.

Rio teve queda na idade média dos internados após reforço em idosos

A poucos dias de terminar a imunização de reforço em todos os idosos, a cidade do Rio já sente na ponta os benefícios da terceira dose da vacina contra a Covid-19. Um levantamento realizado pelo estatístico Rafael Izbicki, professor da Universidade Federal de São Carlos, em São Paulo, a pedido do GLOBO, com dados da cidade do Rio, mostra os efeitos positivos da terceira dose nos casos de internação de Covid-19 na cidade. Os números mostram que, nas últimas semanas, a idade média dos internados caiu de 69 para 59 anos. Outro sinal da influência da dose extra também já reflete nos números: a cada semana, diminui a proporção de novas hospitalizações por coronavírus de quem tem mais de 75 anos em relação aos mais novos.

O levantamento feito pelo matemático, usando dados de hospitalizações divulgados semanalmente pelo Ministério da Saúde na plataforma Opendatasus, que reúne as informações de pacientes com Síndrome Respiratória Aguda Grave. Para realizar a projeção, Izbicki fez um recorte para as pessoas com mais de 75 anos por esse grupo já estar há mais de um mês recebendo a dose de reforço. A terceira dose contra a Covid-19 começou a ser aplicada nos idosos da capital no dia 13 de setembro, com todos aqueles que tinham 95 anos ou mais. Da mesma forma que o início da campanha de vacinação, o calendário foi avançando escalonadamente até os 60 anos, previsto para os próximos dias.

Do início da pandemia até o começo da vacinação em janeiro de 2021, a idade média dos internados por coronavírus na capital variava entre 60 e 65 anos. Após o início da imunização, gradualmente o índice foi caindo, chegando ao menor patamar em junho. Foi neste mês, inclusive, que aumentaram a percepção dos médicos da linha de frente que havia mudado o perfil dos internados: os mais jovens ocupavam os leitos onde antes só idosos ficavam. O mês de junho terminou com o calendário vacinando com a primeira dose cariocas de 44 anos.

Nos meses seguintes, houve a interseção temporal de dois fatores que influenciaram a idade média dos internados voltar a subir. O primeiro foi o avanço da cobertura vacinal entre os mais jovens, que terminou de imunizar em agosto todos acima de 18 anos. Junto disso, o início do segundo semestre foi o momento em que pesquisadores começaram a discutir a necessidade de uma dose de reforço aos idosos, por ter indícios de queda na proteção deste grupo.

Em outubro, a proporção de idosos acima de 75 anos foi a maior de toda a pandemia: 41% dos hospitalizados estavam nesta faixa etária. Entretanto, com a redução nas últimas semanas, o índice já está em 30%.

— A idade média dos internados por casos graves de Covid (SRAG) está consistentemente caindo nas últimas semanas. A idade média atingiu o pico máximo de 69 anos em setembro, maior que antes da vacinação. O percentual de idosos maiores de 75 anos entre os pacientes internados também vem consistentemente caindo — analisa Izbicki.

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