Após apagão no Piauí, Aneel pede esclarecimentos a distribuidora de energia no estado

Geralda Doca
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BRASÍLIA – A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) notificou a distribuidora de energia elétrica no Piauí, Equatorial Piauí, para avisar que fará uma fiscalização na empresa para apurar o apagão ocorrido no estado na virada do ano, afetando vários bairros da capital Teresina por 66 horas.

Em ofício enviado à concessionária nesta segunda-feira, o órgão regulador lista quatro pontos que precisarão ser esclarecidos: principais causas do blecaute; eficiência na alocação das equipes e de materiais; efetividade das ações para assegurar o restabelecimento do sistema e a prestação de informações aos consumidores.

Segundo o documento, a fiscalização abrangerá as áreas de operação, manutenção e aspectos gerais da concessão.

Esclarecimentos até a próxima segunda-feira

A Aneel também acionou a distribuidora para prestar esclarecimentos até a próxima segunda-feira sobre vários aspectos da concessão. Entre eles, população atendida, área de atuação, equipes próprias e contratadas para o atendimento de ocorrências, além de detalhes da infraestrutura de rede.

Sobre o blecaute, especificamente, o órgão regulador cobrou explicações sobre a relação das equipes de atendimento emergencial envolvidas na regularização da situação, tabela de turno e detalhamento do tipo de veículo e material utilizado.

A Aneel solicitou ainda resposta sobre treinamentos realizados nos últimos três anos, obras previstas para a região a fim de melhorar a qualidade do serviço, além de manutenções programadas.

O problema da falta de luz começou na noite do dia 31 de dezembro, quando uma forte tempestade atingiu a região, deixando vários bairros às escuras. O fornecimento só foi totalmente regularizado no início da tarde desse domingo.

Em nota, a concessionária disse que uma força tarefa seguia encarregada de solucionar problemas pontuais registrados nos últimos dias, mas sem ligação com o evento climático:

De acordo com a empresa, as chuvas provocaram sérios danos à rede elétrica, com a queda de pelo menos 280 árvores de grande porte sobre a fiação. Essa teria sido a razão pela demora na regularização da situação.

“Em função da gravidade dos danos causados ao sistema elétrico, os trabalhos de recuperação tiveram alta complexidade e tempo de recomposição maior. Diferentemente do atendimento emergencial em condições típicas, nesta situação houve a necessidade de reconstrução da infraestrutura de redes que foram destruídas pelo evento climático registrado”.

Ainda segundo a concessionária, o fornecimento de energia também foi prejudicado pela alta incidência de raios e objetos metálicos lançados sobre a rede, como placas e outdoors.

A Equatorial Energia arrematou a Companhia de Energia do Piauí (Cepisa), subsidiária deficitária da Eletrobrás, em leilão realizado em meados de 2018 por lance único.

Na ocasião, o ex-ministro de Minas e Energia, Moreira Franco, considerou a empresa Equatorial preparada para atender o Piauí “com energia barata e de boa qualidade” por ela já operar no Nordeste.