Após 'clima de terror', rotas de ônibus são alteradas e Rio reforça a segurança

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após a onda de violência no Rio de Janeiro e na Baixada Fluminense, uma empresa de ônibus desviou os itinerários de suas linhas deixando boa parte das pessoas sem transporte na manhã desta quarta-feira (3).

Os coletivos da Viação Reginas tiveram seus trajetos alterados da avenida Brasil para a Linha Vermelha, em caráter emergencial, após um grupo de mascarados incendiar nove ônibus na região nesta terça (2).

O policiamento foi reforçado por equipes do 16º BPM (Olaria) na Cidade Alta e nos pontos da avenida Brasil onde aconteceram os ataques.

Além dos ataques na avenida Brasil, outros coletivos foram queimados na avenida Washington Luiz, em Duque de Caxias. Os conflitos levaram ainda ao fechamento de 28 escolas, dez creches e seis espaços de desenvolvimento infantil.

Segundo a empresa, a mudança do itinerário aconteceu no início da manhã. Porém, após a constatação de que a situação na avenida Brasil estava calma, os ônibus voltaram ao trajeto original.

A Fetranspor (Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio de Janeiro) diz que as empresas que perderam carros vão recorrer à Justiça por reparação aos prejuízos causados ao setor. Os ônibus destruídos não serão substituídos.

A federação diz também que vai prestar queixa-crime contra todos aqueles que participarem ou estimularem atos de vandalismo e paralisar a circulação dos ônibus sempre que a segurança de passageiros e rodoviários estiver em risco, e comunicar a decisão ao Ministério Público Estadual.

Neste ano, segundo a Fetranspor, 51 ônibus foram destruídos por ações criminosas, superando os registros de todo o ano de 2016 -43. A cada 2,5 dias um ônibus foi incendiado em 2017.

RESPOSTA DO TRÁFICO

O ato foi atribuído pelo governo Luiz Fernando Pezão (PMDB) como uma resposta do tráfico a uma operação da Polícia Militar pela manhã. Segundo a Secretaria de Segurança, a ação policial frustrou a invasão da favela Cidade Alta, na zona norte, por traficantes do Comando Vermelho, que pretendiam uma retomada de controle -atualmente é dominada pelo Terceiro Comando Puro.

Ao todo, 45 suspeitos foram presos e 38 armas de fogo, sendo 32 fuzis, apreendidas. Não houve registros de feridos nos incêndios, mas a ação da polícia na favela deixou dois mortos, ainda sem identificação, e três policiais feridos sem gravidade.

O governo do Rio diz que a ordem para a retomada da Cidade Alta pela facção criminosa Comando Vermelho partiu de uma cadeia fora do Estado e foi executada por pessoas recém-egressas do sistema penitenciário. A polícia montou um cerco nos acessos da favela e frustrou a ação.

"Houve uma ação do crime organizado em que eles se falaram, pode ser pessoalmente, por WhatsApp e diversos outros meios, e se deslocaram cada um de uma favela para fazer uma ação como esta", disse Roberto Sá, secretário de segurança da gestão Pezão.

Segundo Sá, a polícia já identificou alguns mandantes da invasão. Os incêndios a ônibus teriam sido orquestrados para desmobilizar a polícia na operação e assim permitir a fuga de traficantes.

Os confrontos entre grupos de traficantes acontecem desde a noite de segunda (1°). A favela Cidade Alta é considerada estratégica pela proximidade com as principais vias de acesso ao Rio.