Após ataque de Trump, filho de Biden diz que se desligará de empresa chinesa

***FOTO DE ARQUIVO*** BRASILIA,DF, BRASIL, 31-05-2013 - Michel Temer recebe o Vice-Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, no Itamaraty . (Foto: Sergio Lima/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Hunter Biden, filho do ex-vice-presidente e atual candidato à Presidência dos EUA Joe Biden, disse neste domingo (13), através de seu advogado, que estava deixando o conselho de uma empresa chinesa que foi alvo de críticas de Donald Trump e seus aliados.

Foi a primeira vez que Biden se manifestou sobre seu trabalho em companhias internacionais, depois de meses de críticas reiteradas do presidente Trump. Ele acrescentou que não trabalharia para uma empresa estrangeira caso seu pai seja eleito presidente em 2020.

A declaração é o primeiro ato do campo democrata pró-Biden que parece reconhecer a extensão do problema que as práticas profissionais de Hunter Biden criaram para a campanha de seu pai à Casa Branca em 2020.

A dois dias do próximo debate entre os pré-candidatos democratas, estrategistas políticos dizem que a decisão de Biden de sair da empresa chinesa pode ajudar a pôr panos quentes no assunto, que levanta discussão sobre um possível conflito de interesses do ex-vice-presidente.

O ex-vice-presidente dos EUA Joe Biden com o filho, Hunter, em foto de 2010 Jonathan Ernst/Reuters joe e hunter      Segundo o comunicado do advogado George Mesires, "Hunter realizou essas atividades comerciais de forma independente. Não achou apropriado discutir isso com o pai e não o fez".

"Apesar das investigações detalhadas, em nenhum momento as forças policiais estrangeiras ou [americanas] concluíram que Hunter havia cometido irregularidades durante seus cinco anos no cargo", frisou o advogado.

O advogado de Donald Trump, Rudolph Giuliani, disse ter provas de que Hunter foi beneficiado com US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 6,12 bilhões) da BHR, acusação negada pelo advogado de Hunter.

Até o momento, não há qualquer evidência contra Hunter na China, nem investigação oficial sobre o caso.

As acusações de Trump contra Hunter Biden e seus esforços para que as autoridades da Ucrânia investigassem a ele e seu pai levaram democratas na Câmara a iniciarem um processo de impeachment contra o presidente no mês passado.

Os democratas afirmam que Trump arriscou a segurança nacional dos EUA ao pressionar o presidente ucraniano Volodimir Zelenski a investigar Biden, no que foi visto como uma ação que usava prerrogativas da Presidência para benefício político do próprio presidente. Joe Biden é um dos mais cotados para ser adversário democrata de Trump nas eleições de 2020.

Joe Biden também defendeu o trabalho do filho, acusando Trump de atacá-lo apenas porque o vê como uma ameaça à sua reeleição.

O ataque mais recente de Trump se concentrou no trabalho de Hunter Biden no conselho da BHR (Xangai) Equity Investment Fund Management Company, empresa chinesa fundada para gastar capital de investimento fora do país. Trump pediu aos chineses que investigassem o papel de Hunter na empresa, em comentários na semana passada na Casa Branca.

Hunter Biden investiu cerca de 420 mil dólares na empresa para obter uma participação acionária, mas, segundo seu advogado, não recebeu lucro desde então. O filho do ex-presidente afirma que pretende deixar o conselho, cujo assento não era remunerado, até 31 de outubro. Ele não deu um motivo oficial para sua decisão.