Após ataques de Bolsonaro ao sistema eleitoral, TSE amplia teste de segurança das urnas

RIO — Em meio aos ataques do presidente Jair Bolsonaro às urnas eletrônicas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai anunciar nesta quinta-feira uma ampliação no Teste Público de Segurança (TPS) realizado no equipamento a cada eleição. O objetivo da Corte é reforçar a confiabilidade do sistema e aumentar o grau de transparência perante a sociedade civil.

Para a edição deste ano do teste, que ocorrerá em novembro, o TSE vai ampliar o número de investigadores independentes de dez para 15 — eles são responsáveis por colocar à prova a segurança e sugerir correções para eventuais vulnerabilidades. Os profissionais convocados terão ainda acesso a sistemas do tribunal que antes não eram disponibilizados para auditagem, como os programas de apoio à auditoria de funcionamento das urnas no dia da votação (Módulo Sorteio), em condições normais de uso (Módulo Votação), o Verificador Pré/Pós-Eleição (VPP), de integridade e autenticidade de sistemas eleitorais (AVPART) e a assinatura digital nas urnas eletrônicas.

Outra mudança é que os investigadores terão mais tempo para inspecionarem o código-fonte — o período passa a ser de duas semanas, não mais de uma. E, para rebater as críticas sobre a escolha dos investigadores que participarão da auditagem, o tribunal vai privilegiar os grupos inscritos que tenham um plano de testes. Caso o grupo solicite, também será possível estender os testes por mais um dia, totalizando seis.

As mudanças são mais um passo do tribunal para frear e rebater os ataques às urnas eletrônicas feitos por Bolsonaro. O presidente tem colocado em xeque o processo eleitoral, em uma cruzada pela implementação do voto impresso, medida rejeitada pelo Congresso. Em baixa nas pesquisas eleitorais para as eleições do ano que vem, Bolsonaro tem afirmado em lives e eventos públicos ter provas de fraude no pleito de 2018, em que foi eleito. O chefe do Executivo, reiteradamente, também ameaça não reconhecer o resultado caso perca as eleições em 2022 com o sistema atual.

Outra medida do TSE para coibir as ameaças do presidente foi abrir um inquérito administrativo para apurar os ataques sem provas que ele vem fazendo ao sistema eletrônico de votação.

Em outra frente, o TSE tem desenvolvido diversas campanhas de comunicação para esclarecer possíveis dúvidas dos eleitores sobre o sistema das urnas eletrônicas. Em vídeos e entrevistas, o presidente da Corte, ministro Luís Roberto Barroso, reafirmou que “o sistema é seguro, transparente e auditável”. O ministro declarou, reiteradamente, que existem diversos mecanismos de segurança — como o boletim de urna, impresso ao final da votação, e o Registro Digital do Voto —, além da participação de partidos e órgãos como a Polícia Federal, Ministério Público e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em momentos críticos do processo.

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