Após atos golpistas, bolsonaristas radicais deixaram acampamento em Brasília às pressas para escapar de prisão

A iminência de prisão pela polícia, após os atos golpistas e de vandalismo na sede dos Três Poderes, fez com que manifestantes radicais, que estavam no acampamento bolsonarista em Brasília, deixassem a porta do quartel-general do Exército às pressas para fugir das autoridades. O relato é do podcast “The Daily”, do jornal “The New York Times”.

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Nele, o repórter Jack Nicas narra sua visita ao acampamento em frente ao QG do Exército em Brasília, no dia seguinte às invasões das sedes do Congresso e do Supremo Tribunal Federal, além do Palácio do Planalto. Diferentemente do que acontecia uma semana antes, naquele momento o local já estava cercado por soldados, que limitavam o acesso ali, embora não estivessem contendo os manifestantes de forma enérgica.

Com as depredações na Praça dos Três Poderes, cerca de 1.200 pessoas já haviam sido presas no acampamento. Isso fez com que Magno Rodriguez, de 60 anos — que admitiu ao The New York Times ter invadido o Congresso — se juntasse a um amigo e a sua mulher e colocasse seus pertences no carro, parado no estacionamento do quartel-general, para sair às pressas.

— Eu entrei no Congresso para pedir o pessoal para parar. A esquerda infiltrou pessoas para quebrar — disse Rodriguez, antes de deixar o local.

O cenário narrado pelo repórter do jornal americano descreve que os soldados, apesar de cercarem o acampamento, não davam atenção ao movimento. Isso permitiu a fuga de Rodriguez, que deu carona ao jornalista Jack Nicas e contou que tinha “um plano, uma estratégia, para escapar”. A ideia incluiu uma troca de camisas: eles usavam o uniforme da Seleção Brasileira, e trocaram já durante o trajeto para que não fossem identificados como manifestantes.

— Vou sair daqui, tá? Vou fazer uma estratégia… — afirmou Rodriguez, enquanto dirigia.

Durante o trajeto, depois que Rodriguez foi alertado por sua mulher da presença do repórter durante a fuga, o manifestante decidiu deixá-lo em um ponto de ônibus, antes de seguir com o plano.

— Então, agora que muitos de seus outros companheiros de acampamento foram detidos, ele está aproveitando esse momento confuso em que há soldados do Exército por toda parte. Mas ninguém realmente parece estar prestando atenção ou se importando. E ele simplesmente começa a atravessar este grande campo em direção ao estacionamento onde seu carro estava estacionado. E eventualmente sua esposa está com ele. E em seu carro, ele começa a fazer as malas e entrar. Quero dizer, esse é um cara que admitiu ter invadido o Congresso no dia anterior e agora está saindo de lá — relata o repórter Jack Nicas.